Augusto Cury (Avante) alcançou dois dígitos em uma pesquisa presidencial e passou a ocupar a terceira colocação nos levantamentos AtlasIntel e BTG/Nexus divulgados em 31/8. O desempenho recolocou em debate a possibilidade de uma alternativa à disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em 2026.
Na AtlasIntel, Cury subiu de 1,6% para 7,8%, avanço de 6,2 pontos. Na BTG/Nexus, passou de 2% para 11%, alta de 9 pontos. Com o resultado, tornou-se o primeiro candidato fora do eixo Lula-Flávio a atingir dois dígitos em uma pesquisa para o Palácio do Planalto.
Exposição e disputa por eleitores
Marcelo Tokarski, CEO do Nexus, relacionou o crescimento na pesquisa BTG/Nexus à repercussão da sabatina de Cury no Jornal Nacional, realizada em 29/8. Segundo ele, a exposição aumentou as buscas pelo escritor e atraiu eleitores que ainda não tinham escolhido candidato.
“Ele bombou nas redes, isso se refletiu nas buscas do Google”, afirmou Tokarski. Na avaliação dele, Cury teria captado principalmente eleitores inclinados a votar em Flávio Bolsonaro, além de parcelas dos eleitores de Lula e do ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo).
Tokarski ponderou, porém, que ainda não é possível tratar o resultado como uma tendência consolidada. Para ele, Cury pode continuar crescendo, permanecer no mesmo nível ou recuar após o aumento inicial de exposição.
O CEO do Nexus também apontou diferenças entre Cury e candidaturas que tentam romper a polarização com um discurso mais agressivo, como a de Renan Santos (Missão). A postura mais moderada e menos confrontativa do escritor poderia ampliar seu alcance.
Yuri Sanches, diretor de análise política da AtlasIntel, afirmou que o avanço não se deve apenas à exposição. Para ele, Cury ocupou um espaço ainda não preenchido por outros candidatos que se apresentam como alternativa. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema, segundo Sanches, concentraram seus discursos no eleitorado de direita e, em alguns temas, adotaram posições próximas às de Flávio Bolsonaro.
Cury, por outro lado, também buscou dialogar com eleitores de Lula. Sanches citou como marco a crítica feita pelo escritor, durante um debate da Band, à postura de Renan Santos ao atacar eleitores petistas.
“Ele talvez seja o candidato que consiga se posicionar um pouco melhor como uma alternativa que simbolize uma terceira via”, disse Sanches.
Perfil do eleitorado
Os dados da AtlasIntel indicam crescimento de Cury entre eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro, com maior força entre os que votaram em Jair Bolsonaro em 2022: quase 10% desse grupo declarou apoio ao escritor, contra cerca de 4% entre os eleitores de Lula no segundo turno.
Sanches também destacou o avanço entre mulheres, eleitores de menor renda e moradores do Nordeste, segmentos tradicionalmente associados ao PT. O candidato ainda cresceu no Centro-Oeste, no Norte e entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo.
Apesar do salto, o analista estima que Cury poderia se estabilizar entre 4% e 5% das intenções de voto caso o crescimento se consolide. Ele também afirmou que a manutenção do desempenho dependerá da capacidade do candidato de resistir aos ataques de adversários.
A assessoria de Cury atribuiu a alta à maior exposição durante a campanha e à presença digital. Em nota, afirmou que entrevistas, debates, propostas e agendas ampliaram o conhecimento sobre a candidatura e circularam em diferentes plataformas.
De acordo com a assessoria, Cury tem concentrado o discurso em educação, saúde mental, tecnologia, empreendedorismo, segurança pública e redução da polarização. Campanhas adversárias estudam pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma apuração sobre o engajamento do escritor nas redes sociais. A suspeita envolve o aumento de mais de 2 milhões de seguidores no Instagram após o debate da Band, considerado não orgânico pelos rivais.







