CAMPINAS — A cidade tem atualmente 221 bancas, menos da metade dos 503 pontos registrados em 2003. A abertura de novos estabelecimentos também perdeu ritmo: apenas 15 foram inaugurados nos últimos três anos.
A redução levou os comerciantes a ampliar o tipo de mercadoria oferecida. Além de jornais diários, revistas e álbuns de figurinhas, as bancas passaram a vender bebidas, cigarros, acessórios para celular, pequenos brinquedos, flores e itens relacionados a animais de estimação. O modelo passou a funcionar como uma forma de comércio de conveniência, acompanhando mudanças nos hábitos de consumo.
Produtos para públicos diferentes
Edson Medeiros, aposentado que mora em Campinas há 17 anos, é cliente de uma banca aberta na década de 1950. Para ele, o contato com o papel continua sendo importante, especialmente para atividades como palavras cruzadas.
O proprietário Denilson Falsarella afirma que a diversificação foi necessária para manter o negócio. “A gente tem tudo de um pouco. Tem jornal para pet, tem palavras cruzadas, é uma coisa que cresceu muito no mercado”, disse. A banca também oferece artigos de tabacaria, refrigerantes, histórias em quadrinhos e livros.
O urbanista João Verde relaciona a diminuição das bancas às transformações tecnológicas, comportamentais e de consumo. Segundo ele, esses pontos, que antes eram pequenos e voltados principalmente à venda de jornais e revistas, enfrentam o avanço do comércio eletrônico.
Distribuição pela cidade
O Centro concentra 62 bancas, mas a atividade também está presente em outras regiões. Ponte Preta, Cambuí, Vila Industrial, Jardim Campos Elísios e Vila Padre Emanuel da Nóbrega estão entre os bairros com maior número de pontos.
A escolha do local considera fatores como demanda, aluguel e IPTU. De acordo com a análise de João Verde, alguns comerciantes podem preferir bairros que ofereçam custos menores e condições mais favoráveis do que a região central.
No Centro, porém, o número de bancas vem diminuindo junto com a redução do comércio na área. Parte dos estabelecimentos continua instalada em locais de grande circulação, como praças, mas o cenário mudou.
Flores e convivência
A banca de flores de Reginalva de Lima, na Ponte Preta, aumentou de tamanho ao longo de mais de duas décadas. O ponto fica em um cruzamento movimentado, mas a comerciante também atribui a permanência do negócio ao atendimento e ao cuidado com os arranjos.
“Eu acredito que flor todo mundo vende. O que a gente vende é simpatia, alegria e saber que está todo mundo sempre bem”, afirmou Reginalva.
As bancas, em diferentes tamanhos, seguem como espaços de convivência e fontes de renda para os comerciantes que permanecem no ramo.







