São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Greve reúne estudantes de USP, Unicamp e Unesp por moradia e financiamento

Mobilização inclui paralisações em campi, críticas à terceirização e marcha prevista até o Palácio dos Bandeirantes.

Estudantes da USP, Unicamp e Unesp ampliam greve por permanência estudantil e denunciam sucateamento da educação pelo governo Tarcísio

Estudantes da USP, da Unicamp e da Unesp ampliaram uma greve que reivindica políticas de permanência, moradia estudantil e mais financiamento para as universidades públicas estaduais de São Paulo. A mobilização começou há mais de um mês na USP e ganhou adesões na Unicamp e em unidades da Unesp.

Na próxima quarta-feira (20), estudantes da capital paulista planejam marchar até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. A manifestação deve cobrar investimentos nas universidades e contestar medidas que, na avaliação dos grevistas, ameaçam a educação pública e a autonomia universitária.

Impasse na USP

Na USP, o movimento ocorre há mais de um mês e permanece em um impasse com a reitoria. Pedro Chiquitti, estudante de História e diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE-USP), afirmou que, mesmo após duas mesas de negociação, as decisões da administração têm sido “bastante unilaterais”.

A tensão aumentou depois da desocupação da reitoria pela Polícia Militar. A ação resultou na detenção de quatro estudantes e deixou feridos no domingo (10). Chiquitti também disse que os estudantes estão há 15 dias sem comunicação da reitoria, apesar de pedidos encaminhados por meios formais.

Na quarta-feira (13), a USP anunciou a criação de uma Comissão de Resolução de Conflitos. A medida veio após pressão de mais de uma centena de docentes que assinaram cartas de apoio à greve. Os estudantes, porém, receberam a iniciativa com desconfiança.

Também há críticas a um projeto de lei protocolado por deputados ligados ao MBL. A proposta prevê punições para estudantes que participarem de ocupações, incluindo expulsão ou impedimento de matrícula.

Adesões na Unicamp

Na Unicamp, ao menos 20 cursos aderiram à paralisação. As reivindicações se concentram na melhoria da moradia estudantil, no reajuste das bolsas e na oposição à terceirização de serviços como o Restaurante Universitário e a limpeza.

O movimento reúne cursos de áreas como História, Ciências Sociais, Filosofia, Artes Cênicas, Saúde e Exatas. Segundo o comando de greve, estudantes do campus de Barão Geraldo relatam falta de manutenção e superlotação na moradia.

Os grevistas também pedem um cronograma de concursos e a ampliação imediata das bolsas de auxílio-permanência. A reitoria afirma que as atividades administrativas e de pesquisa seguem dentro da normalidade possível e informou que uma comissão da administração se reunirá com lideranças estudantis na próxima segunda-feira (18).

A universidade também comunicou a compra de um terreno de 44 mil metros quadrados em Barão Geraldo, com investimento de R$ 20 milhões, para ampliar o programa de moradia estudantil.

Paralisações na Unesp

Na Unesp, a greve alcança unidades em Bauru, Marília e o Instituto de Artes, na capital paulista. Em Bauru, foram interrompidas atividades de cursos da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design e da Faculdade de Ciências. Em Marília, a mobilização se concentra na Faculdade de Filosofia e Ciências.

Os estudantes afirmam que o auxílio-aluguel não cobre os custos básicos de moradia em Bauru. Em Marília, assembleias discutem os efeitos dos cortes orçamentários sobre pesquisa e extensão. No Instituto de Artes, estudantes e parte dos docentes reivindicam reformas no prédio, que enfrenta infiltrações e falta de equipamentos para aulas práticas.

A Unesp informou que destinou, em 2026, R$ 110,7 milhões às políticas de permanência estudantil. Segundo a instituição, em 2025 foram atendidos 7.746 estudantes com algum tipo de auxílio, e 17 unidades contam com restaurantes universitários.

A universidade afirmou ainda que o orçamento de 2026 foi elaborado com déficit de R$ 189 milhões, coberto por superávit financeiro. As despesas foram fixadas em R$ 4,98 bilhões, diante de receitas de R$ 4,79 bilhões.

Financiamento das universidades

As três mobilizações buscam pressionar o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Os estudantes defendem a revisão do repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de financiamento das instituições, para ampliar os investimentos em assistência estudantil.

A Unesp reconheceu a necessidade de melhorias contínuas nas políticas de inclusão social e defendeu um repasse fixo e previsível do ICMS. A reitoria também declarou que reconhece o direito de manifestação dos alunos e que as unidades podem alterar o calendário escolar se as aulas forem comprometidas.

A USP informou que seus posicionamentos estão em notas oficiais. Em comunicados, defendeu a reintegração de posse da reitoria e anunciou uma Comissão de Moderação e Diálogo Institucional. Na quinta-feira (14), o Cruesp divulgou nota em defesa do pluralismo, da diversidade de opiniões e do espírito democrático e republicano.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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