DUBLIN — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado que gostaria de ver a reunificação da República da Irlanda com a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido. A declaração foi dada durante um encontro com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, em Dublin.
Questionado por um jornalista, Trump disse que não queria causar problemas, mas que adoraria ver a ilha unificada. “Vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Mais vale acontecer agora”, afirmou. Ele acrescentou que o Reino Unido teria algo a dizer sobre a questão.
A divisão sobre o futuro da Irlanda do Norte alimentou décadas de violência entre nacionalistas, em sua maioria católicos e favoráveis à união com a Irlanda, e unionistas, majoritariamente protestantes e defensores da permanência no Reino Unido. O período conhecido como Troubles deixou cerca de 3 600 mortos.
O acordo de paz de 1998, que teve participação decisiva de Washington, reduziu a violência e manteve em aberto o status final da Irlanda do Norte. O texto prevê um referendo sobre a unificação caso pareça provável que a maioria da população vote a favor.
Posição do governo britânico
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, declarou na quarta-feira que não haverá um novo referendo enquanto não existir um desejo claro nesse sentido. “Enquanto isso não mudar, não haverá referendo”, disse.
Trump também se reuniu em Dublin com a presidente irlandesa, Catherine Connolly. Depois, deveria discursar para dirigentes empresariais dos Estados Unidos e da Irlanda na residência oficial do embaixador norte-americano antes de seguir para Doonbeg, onde acompanharia o torneio Irish Open em seu campo de golfe.
Connolly havia participado de protestos durante a visita de Trump à Irlanda em 2019, no primeiro mandato dele. Agora, como chefe de Estado, exerce uma função principalmente simbólica e cerimonial.
Críticas à Europa
Em uma entrevista coletiva com Martin, Trump criticou os aliados europeus nas áreas de comércio, energia e imigração. Ele afirmou que a situação do continente era preocupante e disse que os países estariam se destruindo por causa da imigração.
O presidente americano também classificou como decepcionante a relação de Washington com os aliados europeus após muitos deles não apoiarem seus esforços de guerra contra o Irã. Trump mencionou ainda o caos causado pelo fechamento do estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica, mas afirmou que os Estados Unidos mantêm uma relação de trabalho com todos os aliados no continente.
A visita combinou compromissos oficiais com a participação de Trump no Irish Open, realizado em uma propriedade que pertence a ele. O torneio foi o segundo evento do European Tour realizado naquele ano em um campo de golfe de Trump. O primeiro havia ocorrido no mês anterior, em Aberdeen, na Escócia.







