O acesso a serviços e equipamentos é menor nos lares onde vivem pessoas com deficiência, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A diferença também aparece no tempo de deslocamento para o trabalho, na participação eleitoral e na presença em cargos públicos.
Entre os trabalhadores com deficiência, o deslocamento até o emprego leva, em média, 37 minutos, contra 33 minutos entre os trabalhadores sem deficiência. O IBGE calcula que o primeiro grupo gasta 12% mais tempo no trajeto.
O ônibus ou BRT é o principal meio de transporte para as pessoas com deficiência, usado por 24,7% delas. Entre os trabalhadores sem deficiência, o índice é de 21%. As pessoas com deficiência também recorrem mais a deslocamentos a pé, com 23,7%, e de bicicleta, com 7,8%. Entre os sem deficiência, esses percentuais são de 17,4% e 6,1%.
Em sentido contrário, automóveis e táxis são usados por 32,8% dos trabalhadores sem deficiência e por 22,8% dos trabalhadores com deficiência. No caso de motocicletas ou mototáxis, os índices são de 17% e 14,3%, respectivamente.
Diferenças dentro de casa
A conexão domiciliar com a internet está presente em 78,9% dos lares com pessoas com deficiência, ante 90,2% das residências onde vivem apenas pessoas sem deficiência. A posse de máquina de lavar também é menor: 60,4% contra 68,9%.
O único indicador domiciliar favorável às pessoas com deficiência é o adensamento excessivo. Nesse grupo, 3% vivem em domicílios com três ou mais pessoas por dormitório. Entre os sem deficiência, o percentual é de 4,8%.
Para o pesquisador do IBGE Leonardo Queiroz Athias, o resultado está relacionado ao perfil etário desse grupo. “Uma boa parte das pessoas com deficiência é idosa. E as pessoas idosas vivem mais em domicílios unipessoais, com apenas um morador”, afirmou.
No saneamento, 59,8% das pessoas com deficiência vivem em casas com fossa ou ligação à rede coletora de esgoto, enquanto o índice entre as pessoas sem deficiência é de 63,1%. O abastecimento de água por rede ou distribuição alcança 82% dos lares do primeiro grupo e 83,1% dos demais. A coleta direta ou indireta de resíduos chega a 90,1% e 91,1%, respectivamente.
A combinação dos três serviços de saneamento básico está disponível em 56,6% dos lares onde vivem pessoas com deficiência, contra 60,2% das moradias ocupadas apenas por pessoas sem deficiência. Também há diferenças na estrutura: 2,4% dos lares do primeiro grupo não têm banheiro exclusivo e 1,4% têm paredes externas predominantemente feitas de material não durável. Entre os demais, os percentuais são de 2,2% e 1,2%.
Participação política e administração pública
O número de pessoas com deficiência eleitas caiu de 578 em 2020 para 415 em 2024, de acordo com o IBGE. Entre os homens eleitos para vereador, a redução foi de 459 para 356. Entre as mulheres eleitas para câmaras municipais, o número passou de 63 para 35.
Nas prefeituras, os homens eleitos passaram de 47 para 23, e as mulheres, de nove para uma. As candidaturas para vereador e prefeito também recuaram, de 6.409 em 2020 para 4.813 em 2024. Athias afirmou que houve diminuição tanto nas candidaturas quanto no número de eleitos.
No serviço público federal, a participação de servidores com deficiência subiu de 0,6% em 2019 para 3,1% em 2025. Nos cargos comissionados de níveis 1 a 12, o percentual aumentou de 0,5% para 2,8%; nos níveis 13 a 17, considerados os mais elevados, passou de 0,2% para 1,5%.
Entre 2024 e 2025, a participação de servidores subiu de 1,9% para 3,1%. Nos cargos comissionados de níveis 1 a 12, foi de 1,5% para 2,8%, e nos níveis 13 a 17, de 0,9% para 1,5%. O IBGE relaciona esse crescimento ao aumento de servidores identificados com transtorno do espectro autista (TEA).
Políticas municipais
Em 2023, 490 dos 5.570 municípios brasileiros tinham adaptação de espaços públicos para facilitar a acessibilidade de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Esses municípios reuniam 34,5% das pessoas com deficiência do país.
Leis específicas para garantir passe livre municipal no transporte coletivo existiam em 480 municípios, onde viviam 46,1% dessa população. O levantamento também registrou que 83,8% das pessoas com deficiência moravam em municípios com políticas ou programas de promoção para esse público; 18,9% viviam em cidades com fundo municipal para os direitos da pessoa com deficiência; e 36,5%, em municípios com pessoal capacitado na prefeitura para atendê-las.








