São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Justiça

Operação Crédito Oculto investiga compra da distribuidora Terrana

Receita Federal e Ministério Público de São Paulo apuram suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo fundos, empresas e operações financeiras.

Operação Crédito Oculto investiga compra da distribuidora Terrana

A Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira 24 a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro na compra da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana, e busca identificar os beneficiários reais do negócio.

Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e dono da Entre Investimentos, também é investigado. Ele é delator nas apurações sobre o Banco Master e teria ligação com Daniel Vorcaro, dono do antigo banco.

A empresa de Freixo aparece em investigações da Polícia Federal sobre repasses de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, descrito como uma cinebiografia-propaganda do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Freixo firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.

A Receita Federal informou que são cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados. Participam da operação a Secretaria da Fazenda de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado e as polícias Civil e Militar, com apoio de unidades do Gaeco de outros estados.

Estrutura financeira investigada

Segundo as apurações, os investigados teriam ocultado inicialmente os donos de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Depois, essa estrutura teria sido usada na aquisição da distribuidora de combustíveis.

Um dos pontos analisados é uma operação de aproximadamente 370 milhões de reais em direitos creditórios da usina. Conforme a Receita Federal, uma empresa ligada ao grupo de investimentos comprou os créditos por meio de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios. Parte dos recursos teria vindo de fundos controlados pelo próprio grupo, formando um fluxo financeiro circular.

A usina também teria recebido 100 milhões de reais de empresas ligadas à organização criminosa. Os valores passaram por diferentes contas e estruturas antes de chegar a um fundo criado para viabilizar a compra da Terrana.

Os investigadores ainda apuram o uso de certificado de depósito bancário vinculado, cédulas de crédito bancário e empresas de fachada. Fundos imobiliários também teriam sido usados para concentrar imóveis ligados aos suspeitos.

A empresa financeira usada na aquisição simulada da usina movimentou cerca de 11,6 bilhões de reais entre 2021 e 2025, segundo a Receita Federal.

O Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá deixou de integrar sua diretoria e de ser sócio em maio de 2026, quando foi destituído. A instituição disse ter fornecido informações ao Gaeco sobre o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings, além de ter feito comunicações ao Coaf.

O banco declarou que adotou medidas adicionais de governança e controle, abriu investigação interna, revisou procedimentos de crédito e afastou o então diretor das decisões relacionadas às operações. Após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, informou ter renunciado à administração do Fundo Radford e mantido a colaboração com as autoridades.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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