A divergência entre os países sobre como controlar a inteligência artificial ganhou espaço na Assembleia-Geral da ONU. Mais de 20 governos, sobretudo europeus, defenderam medidas de segurança vinculativas para sistemas avançados, enquanto China e Estados Unidos não apoiaram a proposta.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu supervisão mais rigorosa e alertou para os riscos de decisões automatizadas sem controle humano. Em seu discurso de despedida diante dos líderes mundiais, afirmou: “Comprometamo-nos a nunca deixar que as máquinas tomem decisões de vida ou de morte. Os robôs assassinos não têm lugar no nosso futuro”.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutirá na quarta-feira formas de estabelecer controle sobre a tecnologia. A reunião foi convocada pela França, que preside o órgão neste mês, sob o argumento de que os riscos da IA para a paz e a segurança internacionais ainda não receberam atenção suficiente na ONU. Sam Altman, da OpenAI, está previsto entre os participantes.
Trump rejeita regulamentação global
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve sua oposição à regulamentação internacional. Ele defendeu a troca do termo inteligência artificial por “superinteligência”, que considera mais preciso, e comparou os alertas sobre a segurança da tecnologia a previsões sobre as mudanças climáticas.
Trump também disse que os Estados Unidos rejeitam qualquer iniciativa globalista para controlar a IA. Para ele, tecnologias emergentes trazem desafios, mas isso não justificaria um sistema internacional de controle.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, anunciou que o país pretende apresentar normas globais para a IA durante sua presidência do G20, em 2027. Ele também informou uma parceria de defesa com Washington para detectar ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas.
Burnham defendeu um conjunto único de princípios e normas para garantir transparência, acesso e segurança no desenvolvimento da tecnologia.
O presidente francês, Emmanuel Macron, propôs que os países unam investimentos para criar um modelo de IA avançado e de código aberto, independente das grandes potências. Ele afirmou que não quer que nenhum país se torne dependente de China ou Estados Unidos.
Mesmo empresas norte-americanas do setor passaram a defender maior coordenação internacional sobre segurança. A OpenAI deve participar da discussão no Conselho de Segurança da ONU por meio de Sam Altman.







