Deputados britânicos rejeitaram nesta sexta-feira (11) um projeto que legalizaria a ajuda para morrer na Inglaterra e no País de Gales. O texto recebeu 286 votos contrários e 270 favoráveis, após quatro horas de debates.
A proposta foi arquivada. Ela previa o acesso ao procedimento para alguns pacientes com expectativa de vida inferior a seis meses. O pedido precisaria ser aprovado por dois médicos e por um grupo de especialistas, e o próprio paciente teria de conseguir administrar a substância letal.
O governo trabalhista manteve posição neutra, e os deputados foram orientados a votar de acordo com a própria consciência. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, declarou que não participaria da votação para não “influenciar o debate”.
Reações à decisão
Lauren Edwards, deputada trabalhista autora do projeto, disse que o Parlamento havia “deixado passar sua chance”. Para ela, a legislação atual, que prevê até 14 anos de prisão para quem ajuda alguém a morrer, é “simplesmente cruel e injusta demais para ser mantida como está”.
A associação Dignity in Dying, que defende a autorização da ajuda para morrer, classificou a rejeição como “um revés devastador para as pessoas no fim da vida”. A organização afirmou que a mudança continuará sendo uma questão de “quando”, e não de “se”.
O coletivo Assist Us To Live, formado por pessoas com deficiência e pacientes com doenças terminais, considerou o resultado uma vitória para aqueles que, segundo o grupo, poderiam ser colocados em perigo pela proposta. Philip Friend, ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, disse sentir “alívio” e afirmou que o projeto não tinha as proteções necessárias.
Rebecca Wilcox, cuja mãe, Esther Rantzen, tem câncer em fase terminal, também criticou a decisão. “Estou completamente arrasada”, disse. Ela afirmou que os defensores da medida tentarão novamente.
O projeto havia sido aprovado pelos deputados em junho de 2025, mas foi abandonado em abril após um impasse na Câmara dos Lordes. Uma deputada trabalhista reapresentou uma versão quase idêntica em meados de junho.
A rejeição mantém o Reino Unido distante de países como Bélgica, Canadá, Suíça e Uruguai, que adotaram o direito à ajuda para morrer. Na França, o Parlamento aprovou a medida em julho.
Uma pesquisa do Ipsos realizada em 7 de setembro apontou que dois em cada três britânicos são, em princípio, favoráveis à legalização. As ilhas de Jersey e Man aprovaram textos semelhantes, ainda pendentes de sanção real. Em março, o Parlamento escocês rejeitou uma proposta por 69 votos a 57.







