O empresário paulista Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e ex-amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirma manter mensagens, áudios, comprovantes bancários, notas fiscais e fotografias relacionados ao senador e candidato à Presidência. O acervo teria sido reunido ao longo de quase duas décadas e passou a ser mencionado após o rompimento entre os dois, motivado por uma disputa financeira.
Santini conheceu Flávio no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro, por meio de amigos em comum. Na época, mantinha uma empresa de importação e exportação com Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da Seleção Brasileira. Depois, aproximou-se da família Bolsonaro e passou a participar de viagens, festas e eventos privados.
A sociedade na loja de chocolates
Quando Flávio ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, convidou Santini para integrar a Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen instalada no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca. Santini administrava o estabelecimento e cuidava do caixa.
A loja foi citada nas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o esquema de “rachadinhas” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Promotores investigaram se o negócio poderia ter sido usado para lavar recursos provenientes do recolhimento de parte dos salários de assessores e chamaram Santini de “laranja de luxo”.
O empresário afirma ter pedido ao senador um acerto de aproximadamente R$ 1,4 milhão por lucros, aportes e despesas que diz ter pago sem ressarcimento. Em uma reunião no gabinete de Flávio no Congresso Nacional, apresentou uma planilha e, segundo seu relato, ouviu do senador: “Eu não vou te pagar, porque eu não te devo nada”.
Santini diz que investiu R$ 450 mil na sociedade, enquanto Flávio teria contribuído com R$ 200 mil e Fernanda Bolsonaro, com R$ 350 mil. Segundo as contas do empresário, os dois tinham participação igualitária, mas Flávio recebeu R$ 1,7 milhão em lucros, incluindo R$ 700 mil em dinheiro vivo. Santini afirma ter recebido R$ 644 mil.
Acervo e acusações
Após a ruptura, ocorrida durante o período eleitoral de 2022, Santini enviou notificações extrajudiciais e apresentou uma reclamação pré-processual à Justiça de Brasília. Ele também afirma guardar registros sobre despesas pessoais de Flávio pagas por terceiros, operações imobiliárias com dinheiro em espécie, conversas com Fabrício Queiroz e relógios de luxo atribuídos ao senador.
O empresário relata ainda possuir fotografias de mulheres, mensagens sobre encontros privados e registros de festas. Segundo seu relato, informações sobre esses episódios chegaram a Fernanda Bolsonaro e provocaram uma crise pessoal entre o casal, posteriormente superada.
Em 2018, Santini viajou de carro para Juiz de Fora (MG) com Fabrício Queiroz. Depois, mudou-se para Brasília e abriu a Santitech Suporte em Tecnologia da Informação, empresa que permaneceu ativa durante dez meses e tinha como endereço registrado um lote sem construção na Asa Sul.
Flávio rejeitou as acusações. Ao comentar em 2023 mensagens enviadas por Santini, afirmou: “Não quero dar linha para maluco. É um ex-sócio e ex-amigo”. O senador classificou as acusações do empresário como “infundadas”.







