Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo e dirigente do União Brasil no estado, é alvo de um mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta. Deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, a ação investiga suspeitas de presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo e de conexões com o poder público paulista.
A operação prevê 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. De acordo com a investigação, pelo menos 12 empresas de ônibus estariam sob controle direto ou indireto de integrantes da facção. O caso também apura possível financiamento de campanhas eleitorais pelo crime organizado.
Leite deixou o Legislativo paulistano no fim de 2024, depois de sete mandatos consecutivos. Ele entrou na Câmara em 1997 e ocupou a presidência da Casa seis vezes, conforme seu perfil oficial. Após sair do mandato, manteve influência na política paulista e passou a comandar, com o deputado Maurício Neves, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP no estado.
Apoio a Tarcísio e Flávio Bolsonaro
Em 2026, Leite participou da articulação política em torno de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro. Em janeiro, após uma reunião no Palácio dos Bandeirantes com o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, confirmou o apoio da federação ao governador. Mais tarde, União Brasil e PP definiram a reeleição de Tarcísio como uma das prioridades no estado.
A aproximação com Flávio Bolsonaro foi declarada em 20 de julho, durante uma convenção da União Progressista na Assembleia Legislativa. Na presença do senador, de Tarcísio e de outras lideranças, Leite chamou Flávio de “nosso candidato a presidente”. O diretório paulista da federação também anunciou apoio à candidatura dele ao Planalto.
Relação com investigações sobre ônibus
A ligação de Leite com o setor de transporte já havia sido mencionada nas apurações sobre a Transwolff, investigada pelo Ministério Público por suspeitas de lavagem de dinheiro para o PCC. Em 2024, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do político, após o Ministério Público afirmar que ele poderia ter desempenhado “papel juridicamente relevante” nos fatos analisados.
Leite não foi denunciado na ação derivada da Operação Fim da Linha e apareceu como testemunha. Também foram registradas relações políticas entre ele e Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, então presidente da Transwolff e preso na operação.
Em 2026, um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar encontrou mensagens de agentes que faziam segurança particular para dirigentes da empresa. Em uma delas, o sargento da reserva Nereu Aparecido Alves se referia a Leite como “chefe”.
Leite negou conhecer o policial, afirmou que sua segurança, durante a presidência da Câmara, era feita pela Assessoria Militar oficial do Legislativo e rejeitou ter participado de crimes ou mantido vínculos com o PCC. Até a divulgação das primeiras informações sobre a nova operação, sua defesa não havia se manifestado sobre as acusações.







