São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

PF aponta acesso clandestino a dados de investigações por grupo ligado a Vorcaro

Relatório enviado ao STF afirma que grupo mantido pelo ex-dono do Banco Master consultava sistemas do MPF, da PF e de organismos internacionais.

PF aponta acesso clandestino a dados de investigações por grupo ligado a Vorcaro

A Polícia Federal afirma que um grupo ligado a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, acessava informações sigilosas de investigações no Ministério Público Federal, na própria PF, na Polícia Civil, no Banco Central e, possivelmente, em sistemas associados a organismos internacionais. O grupo, chamado de “A Turma”, seria uma estrutura de vigilância, coerção e violência privada mantida pelo banqueiro.

As informações constam de um relatório da PF datado de 27 de fevereiro deste ano e enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero. O sigilo da investigação foi retirado após pedido do presidente do STF, Edson Fachin.

Segundo os investigadores, Vorcaro pagava R$ 1 milhão por mês para manter a estrutura. Um dos integrantes era Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no documento pelos nomes “Felipe Mourão” e “Sicário”. A PF diz que ele foi contratado para obter, de forma recorrente e irregular, dados de procedimentos sigilosos.

Consultas em sistemas públicos

O relatório, com 164 páginas e reproduções de conversas de WhatsApp, afirma que os acessos eram feitos com logins funcionais de terceiros. A PF também identificou extração indevida de documentos e consultas sem autorização em sistemas internos.

Em 15 de fevereiro de 2024, Vorcaro encaminhou a Sicário uma pergunta sobre um inquérito da PF. Quarenta minutos depois, Mourão enviou um áudio do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Na gravação, Marilson afirma que havia acionado a “Tropa” e que o pedido de Vorcaro receberia atenção especial.

A PF relata que Marilson tinha acesso ilícito aos sistemas do MPF. Ele foi preso em 4 de março de 2026, na terceira fase da operação, em Belo Horizonte. Uma auditoria interna apontou que o acesso indevido partiu da Delegacia da Polícia em Juiz de Fora (MG).

Sicário também teria enviado comprovantes de consultas feitas com o CPF de Vorcaro. Foram encontrados 15 procedimentos relacionados ao banqueiro, dos quais 11 eram sigilosos. As buscas incluíam os termos “BRB AND MASTER”, usados para localizar processos em que apareciam referências ao Banco de Brasília e ao Banco Master.

Em uma mensagem, Vorcaro pediu acesso integral aos procedimentos. A PF afirma que o servidor responsável pela consulta tentou ocultar sua identidade e o setor em que trabalhava. No dia seguinte, Sicário enviou a Vorcaro uma “Notícia de Fato” do MPF sobre a possibilidade de crime contra o sistema financeiro nacional na tentativa de compra do Master pelo BRB.

Referências à Interpol e ao FBI

Um print de 15 de setembro de 2025 foi usado pela PF para indicar que a “Turma” tinha acesso ao ePol, sistema oficial de polícia judiciária da Polícia Federal, restrito a policiais federais.

Em 24 de outubro de 2025, Mourão encaminhou outro print, com o logotipo da Interpol. A PF afirma que as evidências também mencionam o FBI. Consultada no Brasil, a Interpol informou que a identidade visual da tela não correspondia aos mecanismos de busca disponibilizados pela organização. A entidade, porém, ressaltou que a imagem poderia se referir a sistemas de outros países.

A PF levantou a hipótese de que a consulta tenha sido feita por um sistema estrangeiro baseado em dados baixados da Interpol. Os delegados responsáveis pelo relatório afirmam que Vorcaro poderia ter buscado acesso legal aos autos, mas teria escolhido meios ilícitos.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Segundo o BC, a decisão decorreu de grave crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e violações às normas. As negociações com o BRB deixaram o banco público em situação crítica, com necessidade de R$ 8,8 bilhões, e o Banco Central barrou a venda.

O relatório também aponta um relacionamento ilícito entre Vorcaro e dois diretores do BC. Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e novamente em março de 2026, por ordem do STF. Sicário morreu dois dias depois de uma tentativa de suicídio na prisão.

Além da obtenção de informações, a PF afirma que a estrutura era usada para violência, coação e intimidação, incluindo menções ao planejamento e à possível execução de agressões físicas. O objetivo, segundo os investigadores, era pressionar e silenciar determinadas pessoas.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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