São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Canetas de semaglutida entram em nova análise para possível oferta pelo SUS

Pedido do Ministério da Saúde será avaliado pela Conitec, e eventual distribuição ainda depende de critérios técnicos, orçamento e prazos administrativos.

Canetas de semaglutida entram em nova análise para possível oferta pelo SUS

A possibilidade de oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS será submetida a uma nova análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). O Ministério da Saúde protocolou o pedido na quinta-feira (24), após o anúncio feito pela pasta em 17 de setembro e a defesa da proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha à reeleição.

O protocolo não libera os medicamentos na rede pública. A incorporação depende de estudos, avaliação de custo-efetividade e análise da viabilidade orçamentária. A Conitec tem até 180 dias para emitir um parecer. Se houver aprovação, o Ministério da Saúde ainda terá mais 180 dias para efetivar a distribuição, criar um protocolo de uso e definir uma política pública para o fornecimento.

Estudo acompanha pacientes com obesidade grave

Uma das bases para a discussão é o Real-Bari, estudo-piloto apresentado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em 17 de setembro. O projeto administra medicamentos à base de semaglutida a 250 pacientes com obesidade grave, acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre (RS), desde junho de 2026.

A pesquisa pretende acompanhar os participantes até 2028 e avaliar a viabilidade técnica e financeira de incorporar o tratamento ao SUS. A semaglutida é uma versão sintética do GLP-1, hormônio produzido no tubo digestivo que reduz a glicose no sangue e participa do controle de peso.

Segundo Padilha, o primeiro paciente atendido pelo estudo perdeu 6 kg e aumentou a quantidade de tarefas domésticas e exercícios físicos na rotina. O ministro afirmou que a caneta é importante para diabetes e obesidade, mas pode também ser estudada para outras doenças crônicas e para tratamentos de câncer.

Produção nacional e redução de custos

Em agosto de 2025, a Fiocruz fechou dois acordos com a farmacêutica EMS para produzir no Brasil canetas de semaglutida e liraglutida. A transferência de tecnologia para o Complexo Farmanguinhos, no Rio de Janeiro, será feita gradualmente, devido à complexidade das etapas de fabricação.

A estratégia busca reduzir custos e a dependência de importações. Em março, o então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou a distribuição de canetas genéricas de semaglutida na rede municipal. Urupês e Sorocaba também estruturam programas para oferecer os medicamentos gratuitamente, com recursos próprios.

A Receita Federal estima que 115 mil canetas emagrecedoras foram apreendidas na aduana de Foz do Iguaçu (PR) nos primeiros seis meses de 2026. Em todo o ano de 2025, foram retidas 7.479 unidades.

Processo ainda tem etapas

A Novo Nordisk, detentora da patente da semaglutida, tentou incorporar o componente ao SUS em 2025, mas recebeu parecer contrário da Conitec por causa de restrições orçamentárias. Entidades médicas também tiveram negado um pedido para incluir a liraglutida.

O processo de incorporação exige aprovação prévia da Anvisa, pedido formal, consultas públicas, análise de estudos e avaliação científica da eficácia, efetividade e segurança. Depois, o colegiado da Conitec emite uma recomendação, que precisa ser validada pelo secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde. Uma audiência pública pode ser realizada, se necessária.

O custo-efetividade compara o valor do medicamento com os resultados obtidos para a saúde e com outras opções disponíveis. Em junho, a Novo Nordisk apresentou um novo pedido para incluir a semaglutida no SUS com valor 59% abaixo do praticado. A proposta limita o público a pacientes sem diabetes, com mais de 45 anos, obesidade grave e histórico de infarto. Mesmo com eventual aprovação, a empresa ainda precisará passar por licitação.

Com o fim da patente da Novo Nordisk sobre a semaglutida em março, outras empresas passaram a fabricar versões do medicamento. Padilha disse, em 17 de setembro, que o preço caiu de R$ 1.700 ou R$ 2.000 para uma faixa entre R$ 300 e R$ 400 nas farmácias, mas afirmou que o objetivo do governo é oferecer o tratamento como direito no SUS.

O governo ainda não detalhou como seria a política de distribuição. A proposta não deverá atender a buscas por soluções estéticas e seguirá protocolos clínicos. Especialistas defendem critérios relacionados à existência de comorbidades e à gravidade de cada caso, além de acompanhamento multiprofissional, orientação nutricional e exercícios físicos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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