SÃO PAULO — A musicista Layla transformou a kora em um dos elementos centrais de “Mudando de Pele”, espetáculo protagonizado por Taís Araujo. Além de tocar o instrumento, ela compôs a harmonia e os acordes usados na montagem, que ganhou uma estrutura coletiva nos palcos paulistas.
A entrada de Layla no projeto ocorreu após um convite de Dani Nega, diretora musical da peça. Dani conheceu o trabalho da artista campineira por vídeos na internet e a chamou para participar do espetáculo. Para a diretora, a presença da musicista tem forte impacto artístico: “Todo mundo fica muito encantado com a Layla”.
A peça está nos últimos dias de exibição no Teatro FAAP, na capital paulista. Taís interpreta três personagens e afirma que a dramaturgia apresenta fragilidades da população preta sem se concentrar exclusivamente no sofrimento. “Ele não tem um fetiche em cima da dor”, disse a atriz.
A montagem original era um monólogo inglês, mas recebeu outro formato no Brasil com a participação de Dani Nega e Layla em cena. Taís considera que a presença das duas impede que o espetáculo seja classificado como solo e atribui à experiência de Layla parte importante da diversidade incorporada ao trabalho.
A relação da musicista com a música começou na Casa de Cultura Tainã, ocupação cultural de Campinas administrada por seu pai, Mestre TC Silva. O espaço lhe deu contato com tambores, atividades culturais e a kora, instrumento de 21 acordes feito de cabaça, couro e madeira. A origem da kora é associada ao século 18, no Império Mandinga, no Oeste Africano.
Layla atribui à comunidade o acesso que teve à cultura e à música. A Casa de Cultura Tainã foi fundada por Toninha, mulher da própria comunidade da Vila Bela, na região da Vila Padre Manoel da Nóbrega. Depois da morte dela, o espaço passou a ser administrado por Mestre TC Silva.
A equipe de “Mudando de Pele” planeja levar a apresentação a Campinas. Layla disse que deseja receber na plateia pessoas da comunidade que a acompanharam desde a infância e outras que ela vê crescer.







