O pastor J. B. Carvalho, líder da Comunidade das Nações e próximo da família Bolsonaro, defende o fim do reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Ele também sustenta que o feriado nacional de 12 de outubro não teria validade jurídica.
As posições estão registradas no livro “A Bomba”, publicado em 2001. Na obra, Carvalho questiona a legislação que reconhece Nossa Senhora Aparecida e afirma que “a lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal”. O pastor argumenta que não haveria amparo constitucional para impor uma padroeira a toda a população e cita a separação entre Igreja e Estado.
Carvalho relaciona sua interpretação às Constituições de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967/69 e 1988. A partir desse argumento, escreve que “o feriado de 12 de outubro é ilegal”.
O líder evangélico também faz uma defesa de mobilização religiosa contra a devoção católica. No livro, afirma que é necessário “destronarmos a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro” e pede que Jesus Cristo seja reconhecido como único Senhor no Brasil.
A obra apresenta críticas às práticas católicas e à devoção a Maria. Carvalho diz que Maria não deveria ser chamada de senhora e contrapõe o que define como centralidade de Jesus ao marianismo católico. Ele também compara a veneração mariana a tradições religiosas antigas e associa a devoção a possíveis punições divinas.
Relação com a família Bolsonaro
A proximidade de Carvalho com Flávio Bolsonaro inclui vínculos religiosos e pessoais. O senador se converteu à denominação em 2022 e passou pelo primeiro batismo sob os ritos da igreja em 2024, ao lado da esposa, Fernanda.
A relação também alcança Jair Bolsonaro. Em novembro de 2025, enquanto o ex-presidente estava preso na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Flávio lhe deu o livro “Metanoia – A Chave Está Em Sua Mente”, escrito por Carvalho e publicado pela Editora Chara em 2018. O pastor ainda participou de uma transmissão ao vivo com a família na véspera do aniversário de 70 anos de Jair Bolsonaro e declarou solidariedade a ele.
Apesar da interpretação apresentada por Carvalho, o feriado de 12 de outubro está previsto na legislação federal. A data foi oficializada pela Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980 pelo então presidente João Figueiredo. A norma teve origem no Projeto de Lei nº 220/1979, de autoria do deputado Jorge Arbage, e permanece em vigor sem revogação na Câmara dos Deputados.







