Flávio Bolsonaro negou que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e afirmou que não existe projeto de lei com esse objetivo. O candidato do PL à Presidência atribuiu a informação a adversários políticos e disse que o episódio integra uma “rede de mentiras”, citando a primeira-dama Janja Lula da Silva e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
A declaração foi dada nesta segunda-feira (28), durante entrevista ao SantoFlow Podcast. Flávio participou do programa com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida à sua frente e relacionou a controvérsia ao debate sobre a laicidade do Estado. Ele também acusou o PT de estimular uma divisão entre católicos e evangélicos.
Explicação sobre a posse
O senador ainda esclareceu uma declaração anterior de que, se eleito, seu primeiro ato seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Conforme a assessoria de Flávio, a intenção é fazer uma oração antes da leitura do termo de posse, entregando o Brasil nas mãos de Jesus. A explicação veio após questionamentos sobre a compatibilidade da proposta com o caráter laico do Estado brasileiro.
Evangélico e frequentador da Igreja Batista, Flávio disse que a composição de sua chapa também demonstra que não tem resistência ao catolicismo. Ele citou Alfredo Gaspar, deputado federal por Alagoas e candidato a vice, e Jair Bolsonaro, seu pai e ex-presidente. “Meu vice, Alfredo Gaspar, é católico fervoroso. Meu pai também é católico”, afirmou.
Alfredo Gaspar foi anunciado em agosto como candidato a vice na chapa. Jair Bolsonaro se declarou católico ao longo da trajetória política, embora tenha mantido aproximação com lideranças e eleitores evangélicos. Em maio de 2016, foi batizado nas águas do rio Jordão, em Israel, pelo pastor Everaldo, mas continuou a se identificar publicamente como católico. Flávio também foi batizado no rio Jordão em janeiro deste ano.
Outras críticas na entrevista
Na conversa, Flávio responsabilizou o PT pela polarização política e afirmou que o partido tenta colocar católicos contra evangélicos. Também disse que busca representar o legado de Jair Bolsonaro com uma postura diferente e declarou não gostar de “briga”.
O candidato criticou Lula, ministros do Supremo Tribunal Federal e as indicações feitas pelo atual presidente. Disse que, se eleito, escolherá para a Corte pessoas contrárias ao aborto e às drogas. Também afirmou que Lula teria transformado o STF em um “comitê eleitoral” e criticou Cristiano Zanin, Flávio Dino e Alexandre de Moraes.
Flávio ainda comparou a proposta de oferecer medicamentos para emagrecimento pelo SUS à promessa de picanha feita por Lula em eleições anteriores. O Ministério da Saúde protocolou, na quinta-feira, 24, pedido de análise para a possível oferta de medicamentos da classe GLP-1 no tratamento da obesidade. A pasta também conduz um estudo com 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças.







