Quatro dos 25 secretários estaduais do governo de Tarcísio de Freitas tiveram aumento patrimonial superior a 100% entre as declarações de bens publicadas em 2023 e 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (22/8) pelo governo de São Paulo e consideram valores nominais, sem correção pela inflação.
A publicação mais recente corresponde ao exercício de 2024, com ano-base de 2023. Já a declaração divulgada em 2023 era referente ao exercício de 2022, com ano-base de 2021. A divulgação anual dos bens das autoridades é exigida por lei.
O maior aumento indicado foi o do secretário da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa: 592%, de R$ 956 mil para R$ 6,6 milhões. Em seguida aparecem a secretária de Comunicação, Laís Vita, com alta de 333%, de R$ 67 mil para R$ 291 mil; o secretário da Habitação, Marcelo Branco, com crescimento de 134%, de R$ 5,26 milhões para R$ 12,3 milhões; e o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, com aumento de 107%, de R$ 749 mil para R$ 1,55 milhão.
As declarações do governador Tarcísio de Freitas e do vice-governador, Felício Ramuth, ainda não foram publicadas. A gestão afirma que divulgará apenas a declaração de entrada dos dois no governo, em 2023.
Secretários contestam dados
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que houve erro no patrimônio inicial atribuído a Derrite. Segundo a pasta, o valor correto era de R$ 921,9 mil, e a correção foi solicitada à Controladoria Geral do Estado. Com a alteração, a variação seria de R$ 631,2 mil. A secretaria também informou que a renda anual bruta do secretário no período foi de R$ 908,4 mil, equivalente a cerca de R$ 69,8 mil mensais.
A assessoria de Marcelo Branco negou evolução patrimonial e informou que os bens passaram de R$ 8,97 milhões em 2022 para R$ 8,74 milhões em 2023. Também disse que foram identificados erros nas publicações e que retificações foram solicitadas, ainda sem publicação no Diário Oficial.
A assessoria de Marcos da Costa afirmou que não houve aumento desde a posse, em 2023. De acordo com a manifestação, a variação decorreu do uso de dados anteriores à entrada dele na secretaria, e o patrimônio teria diminuído durante o período no cargo.
A Secretaria de Comunicação classificou as informações como equivocadas e descontextualizadas. A pasta afirmou que a comparação usa dados patrimoniais de 2021, antes do início da gestão em 2023, e não considera fatores como quitação de financiamentos, dissolução de sociedades e compra e venda de imóveis. As secretarias disseram que os bens estão informados à Receita Federal e à Controladoria-Geral do Estado.







