São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

STF abre investigações sobre políticos ligados ao Banco Master

Decisão de André Mendonça tornou públicos 53 procedimentos da Operação Compliance Zero, com exceção de diligências em andamento.

STF abre investigações sobre políticos ligados ao Banco Master

O ministro André Mendonça retirou, nesta sexta-feira (11), o sigilo de 53 procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero. A decisão atendeu a uma determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que havia ordenado a abertura dos documentos do caso envolvendo o Banco Master. Fachin manteve em sigilo apenas as diligências em andamento ou previstas, para preservar as investigações.

Os autos tornaram públicas apurações contra políticos que mantinham relações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Entre os investigados estão Flávio Bolsonaro, Mário Frias, Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Cláudio Castro. Também há procedimentos sobre Antônio Rueda e ACM Neto que continuam sob sigilo.

Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser alvo de um inquérito autorizado por Mendonça em 22 de julho de 2026, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

A Polícia Federal examina se houve superfaturamento e desvio de dinheiro público no financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador negociou com Vorcaro repasses parcelados de R$ 134 milhões para a produção do filme, segundo os elementos reunidos na investigação.

A PF identificou ao menos oito contatos diretos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro entre agosto e novembro de 2025. Os registros incluem mensagens, áudios sobre repasses, vídeos de visualização única e encontros presenciais. A última mensagem foi enviada em 16 de novembro de 2025, na véspera da prisão do banqueiro.

A investigação também considera o repasse de R$ 62,8 milhões de um fundo ligado à estrutura do Master para o Havengate Development Fund, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Dados da produtora Go Up apontam custo de R$ 20 milhões para a produção no Brasil.

O caso se relaciona ainda a uma apuração, sob relatoria de Flávio Dino, sobre possível desvio de emendas parlamentares para o filme. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que se tratou de “financiamento privado para um projeto privado”.

Mário Frias

O deputado Mário Frias (PL-SP) é investigado tanto pela relação com o financiamento de “Dark Horse” quanto pelo possível uso irregular de emendas parlamentares na produção. Uma petição da deputada Luciene Cavalcante pediu sua inclusão no inquérito principal da Operação Compliance Zero.

Mendonça determinou a abertura de um procedimento específico para apurar fatos relacionados ao deputado. Esse procedimento continua sob sigilo.

Na quinta-feira (10), Frias foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Os investigadores suspeitam que pelo menos R$ 750 mil em emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil tenham sido desviados para a produção do filme. Frias e Karina da Gama, dona do instituto e da produtora Go Up, estão proibidos de deixar o Brasil. O deputado nega irregularidades.

Ciro Nogueira

A relação de Ciro Nogueira (PP-PI) com Daniel Vorcaro é investigada pela Polícia Federal desde a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em maio. O senador foi alvo de busca e apreensão.

Segundo a PF, Nogueira teria recebido uma mesada de ao menos R$ 300 mil, além de benefícios como viagens internacionais. A apuração também examina a compra de participação societária em uma empresa ligada ao banqueiro por valor supostamente abaixo do mercado.

Os investigadores avaliam se o senador usou sua atuação parlamentar para defender interesses de Vorcaro. Entre os episódios está a chamada Emenda Master, que alterava regras do Fundo Garantidor de Crédito para beneficiar o banco, e uma tentativa de impedir a criação de uma CPI sobre o Master em abril de 2025.

A PF também apura possível pressão sobre o Banco Central para aprovar a compra do Master pelo BRB. Ciro Nogueira nega qualquer ilicitude em sua atuação parlamentar.

Jaques Wagner

Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e ex-governador da Bahia, entrou no radar da operação na nona fase da investigação, em junho. Entre as vantagens examinadas estão um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada a seu enteado.

Segundo a investigação, os benefícios seriam contrapartida pela atuação de Wagner em projetos de interesse do Master no Senado. Um deles era a Emenda Master; outro ampliava o limite de consignação sobre salários de trabalhadores sob o regime CLT e de aposentados.

A ligação com o banco teria sido intermediada por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. Em 29 de junho, Wagner se afastou da liderança do governo. Ele negou irregularidades.

Cláudio Castro

Cláudio Castro deixou o governo do Rio de Janeiro em março de 2026 e passou a ser investigado depois de deixar o cargo. A Polícia Federal apura aportes que totalizaram R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do estado, em fundos ligados ao Banco Master.

Segundo a PF, Castro teria feito alterações no comando do fundo para facilitar os investimentos, sem observar critérios técnicos. A investigação também examina a relação entre encontros do ex-governador com Vorcaro e aplicações financeiras posteriores.

No final de maio, Mendonça determinou busca e apreensão contra Castro. O ex-governador negou irregularidades e afirmou que os encontros com o gestor do Master ocorreram em agendas oficiais, institucionais e sociais.

Antônio Rueda e ACM Neto

Os procedimentos sobre Antônio Rueda e ACM Neto permanecem sob sigilo. Rueda é presidente do União Brasil, e ACM Neto, vice-presidente da legenda.

Os dois aparecem em uma folha de pagamentos do Master compartilhada em abril com uma CPI que investigava o banco. Na ocasião, afirmaram que os valores eram remuneração por serviços de advocacia e consultoria.

Em setembro, uma proposta de colaboração de Vorcaro apontou conexões com os dirigentes do União Brasil. Segundo o relato do banqueiro, eles teriam atuado para direcionar ao Master recursos de institutos de previdência do Rio de Janeiro, do Amapá e do Amazonas, além da Cedae.

Vorcaro afirmou que os políticos receberiam 10% de comissão sobre os investimentos captados ou 1% ao ano se os recursos fossem aplicados no banco. Rueda disse que não teve acesso ao documento e que os contratos de seu escritório são lícitos. ACM Neto negou as acusações.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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