Uma viagem de Flávio Bolsonaro à África do Sul, em março de 2025, reuniu o senador e atual candidato à Presidência com pessoas que depois apareceram em investigações da Polícia Federal sobre suspeitas de fraude no INSS. Registros de um safári mostram Flávio ao lado do senador Weverton Rocha, do advogado Willer Tomaz e do empresário Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos.
As imagens estavam em um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”. A Polícia Federal obteve o material no celular de Weverton Rocha, apreendido durante a Operação Sem Desconto. Também participavam do grupo as esposas dos quatro integrantes, conforme as informações reunidas sobre a viagem.
O passeio ocorreu cerca de um mês antes de o caso dos descontos irregulares em benefícios do INSS ganhar repercussão pública, em abril de 2025.
Investigação sobre Weverton e Willer
Willer Tomaz é investigado sob suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a Weverton Rocha. O senador também teve o nome incluído em uma apuração do Ministério Público Federal sobre o chamado orçamento secreto no Maranhão. Como tem mandato de senador e foro por prerrogativa de função, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal em 2024.
A relação entre Flávio e Willer já era conhecida antes dessas apurações. Durante a CPI da Covid, o advogado foi mencionado em discussões sobre suspeitas na negociação da vacina indiana Covaxin e recebeu defesa pública do então senador.
Carlos Alberto de Sá também foi citado pela CPI da Covid. O relatório final da comissão, concluído em 2021, pediu o indiciamento dele por corrupção ativa e improbidade administrativa.
Carlinhos era ligado à VTCLog, empresa que mantinha contratos de logística com o Ministério da Saúde. A CPI apontou suspeitas de oferta de vantagens a um integrante da pasta para alterar contrato de distribuição de insumos, incluindo vacinas. O documento estimou indícios de superfaturamento em R$ 17 milhões.
O relatório também registrou que um funcionário da VTCLog sacou R$ 4,7 milhões em espécie desde 2018. Parte do dinheiro teria sido usada para pagar boletos pessoais de Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde.
A comissão analisou ainda o chamado “jogo de planilha”, prática em que uma empresa oferece descontos em uma licitação e depois solicita aditivos elevados ao contrato. A apuração parlamentar não resultou em aprofundamento das investigações contra a companhia.
Participantes dizem que viagem foi particular
Carlos Alberto de Sá afirmou que foi convidado por Willer Tomaz e que pagou as próprias despesas. Weverton Rocha disse que as viagens com Willer, seu amigo e compadre, são privadas. O advogado declarou manter amizade pessoal com Flávio Bolsonaro e afirmou que arcou com os custos das viagens usando recursos próprios.
Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos sobre a viagem à África do Sul e sua relação com os demais participantes.






