São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Como o cérebro separa o conteúdo e o prazer ao avaliar uma obra de arte

Pesquisa com 34 voluntários aponta que a percepção da beleza combina o reconhecimento visual com circuitos ligados à recompensa.

Como o cérebro separa o conteúdo e o prazer ao avaliar uma obra de arte
Foto: ElenaGC/Shutterstock/Reprodução

Uma pintura pode ser reconhecida como paisagem ou figura e, ao mesmo tempo, provocar diferentes níveis de prazer. Um estudo publicado na revista científica Nature Communications indica que essas duas avaliações são processadas separadamente pelo cérebro, embora participem juntas da experiência estética.

A pesquisa analisou 96 pinturas tradicionais chinesas em aquarela. As imagens foram exibidas a 34 voluntários durante exames em um aparelho de ressonância magnética de 7T. Depois, os participantes avaliaram como cada obra os fazia se sentir.

Duas formas de avaliar uma imagem

Para identificar padrões nas respostas, os pesquisadores usaram algoritmos de filtragem colaborativa, semelhantes aos mecanismos de recomendação de serviços como Netflix e Spotify. A ferramenta encontrou duas dimensões comuns às avaliações dos participantes.

A primeira organizou as pinturas conforme sua semelhança com figuras ou paisagens. Essa dimensão está relacionada ao conteúdo conceitual da imagem, ou seja, ao que ela representa. A segunda ordenou as obras entre as menos e as mais apreciadas, indicando o valor emocional ou hedônico atribuído a cada uma.

Os exames mostraram que o conteúdo visual era interpretado nas vias visuais, responsáveis por distinguir, por exemplo, um rosto de uma cena. Já a avaliação ligada ao prazer aparecia em regiões mais profundas do cérebro, associadas à recompensa. Os resultados indicam que o julgamento de uma obra utiliza mecanismos semelhantes aos empregados na avaliação de outros elementos do ambiente.

O papel da experiência em artes

A intensidade com que o cérebro registrava essas dimensões variava conforme a experiência dos participantes em artes visuais. A diferença foi observada especialmente na chamada rede do modo padrão, sistema relacionado à imaginação, à consciência, à autorreflexão e à construção de significado.

Os pesquisadores afirmam que o treinamento em artes visuais pode modificar a maneira como o cérebro representa a beleza, e não apenas aumentar a familiaridade com determinadas obras. O estudo também relaciona essa possibilidade à educação artística, que poderia influenciar a ligação entre percepção, emoção e significado.

A pesquisa parte de uma questão central da neuroestética: como uma experiência considerada pessoal também pode ser compartilhada por diferentes pessoas. Ao separar o reconhecimento do conteúdo e o prazer provocado pela imagem, os resultados apresentam uma estrutura mensurável para a avaliação da beleza artística.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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