São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

De Seu Julinho a Lula Lá: a trajetória dos jingles eleitorais no Brasil

A primeira canção oficial de campanha surgiu em 1930; décadas depois, os jingles se tornaram peças centrais da comunicação política.

O primeiro jingle oficial de uma campanha eleitoral brasileira foi lançado em 1930 para promover Júlio Prestes. A marchinha “Seu Julinho Vem” foi composta por Francisco José Freire Júnior e interpretada por Francisco Alves, em uma eleição disputada contra Getúlio Vargas.

Prestes era sócio da Rádio Educadora Paulista e utilizou a emissora em sua campanha. Naquele período, as rádios não podiam veicular inserções pagas de propaganda política. A solução encontrada foi usar uma emissora pertencente ao próprio candidato.

A eleição foi vencida por Prestes, mas ele não tomou posse por causa da Revolução de 1930, que levou Vargas ao poder. Em 1931, o novo presidente também ganhou uma música de campanha: “Ge-Gê (Seu Getúlio)”, escrita por Lamartine Babo e gravada pelo conjunto Bando dos Tangarás.

Do rádio às campanhas de massa

Os jingles são peças musicais curtas, geralmente com melodias e letras simples. A estrutura ajuda a fixar informações como o nome do candidato, seu número, suas propostas e a posição política que representa. As mesmas músicas também podem ser usadas para criticar adversários.

A expansão desse recurso está ligada ao crescimento do rádio. A primeira transmissão radiofônica em solo brasileiro ocorreu em 1922, no centenário da independência. Nos primeiros anos, as emissoras estavam concentradas nos centros urbanos e eram operadas principalmente por fundações sem fins lucrativos.

O rádio ampliou o alcance da comunicação política durante o primeiro mandato de Vargas, entre 1930-1945, e se transformou em um meio de comunicação de massa. Em 1950, quando voltou a disputar a Presidência, Vargas teve como música de campanha “Retrato do Velho”. A marcha, composta por Haroldo Lobo e Marino Pinto, também foi interpretada por Francisco Alves.

A canção ajudou a consolidar os jingles como elementos centrais das campanhas eleitorais. Em 1960, Jânio Quadros ficou associado a “Varre, varre, vassourinha”, composta por Maugeri Neto e Fernando Azevedo de Almeida. A letra retomava a promessa de “varrer a corrupção” do país.

Retorno em 1989 e novas tecnologias

Com a Ditadura Militar, os jingles eleitorais ficaram em pausa a partir de 1964. Eles voltaram em 1989, ano da primeira campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva depois desse período. Hilton Acioli escreveu “Sem Medo de Ser Feliz”, conhecida pelo refrão “Lula Lá”.

Desde então, canções de campanha continuaram a aparecer em candidaturas de diferentes perfis. Entre as mais lembradas estão “Ey, Ey, Eymael”, “Varre, varre, vassourinha” e “Lula Lá”.

Para 2026, alguns presidenciáveis já divulgaram músicas-tema: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos, que assina o próprio jingle. A campanha de Lula lançou uma releitura de “Rap do Silva”, de MC Bob Rum, mas o TSE suspendeu a música por não mencionar o vice Geraldo Alckmin.

Flávio Bolsonaro apresentou “Vem com Fé”, com elementos de louvor e sertanejo universitário. A composição é de Alexandre Oltramari e Rafael Rizzo. A campanha não confirmou se a faixa foi produzida com inteligência artificial. O texto-fonte também relaciona a tecnologia ao fato de que, atualmente, criar um jingle para uma campanha presidencial ficou mais fácil.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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