São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Vestígios sob hospital em Paris reacendem busca pela antiga Lutécia

Muralha encontrada na Île de la Cité tem características gaulesas e datação compatível com o período anterior à conquista romana.

Vestígios sob hospital em Paris reacendem busca pela antiga Lutécia
Foto: Anastasia Choquet – DRAC Île-de-France/Reprodução

Uma descoberta arqueológica na Île de la Cité, ilha do rio Sena, pode ajudar a localizar Lutécia, cidade fundada pela tribo Parisii e posteriormente dominada por Júlio César. Os vestígios foram encontrados durante escavações para uma futura obra na propriedade do Hospital Hôtel-Dieu, em frente à Catedral de Notre-Dame, em Paris.

A estrutura identificada inclui uma seção de 20 metros de comprimento e uma plataforma de dois metros de espessura. Nas proximidades, os arqueólogos também localizaram pontas de lanças gaulesas, objetos carbonizados e restos de um edifício incendiado.

Indícios sobre a origem da muralha

A construção foi feita com grandes blocos e vigas, seguindo uma tradição gaulesa. Seu revestimento carbonizado também coincide com relatos atribuídos a Júlio César sobre a conquista de Lutécia, que teria sido incendiada e ficado com as pontes destruídas durante a invasão romana.

A datação por carbono indica que a muralha foi erguida entre 200 a.C. e 10 a.C. Esse intervalo é compatível com o período anterior à conquista de Lutécia, ocorrida em 52 a.C., durante as campanhas romanas na Gália, entre 58 a.C. e 52 a.C.

Localização ainda em debate

Lutécia foi fundada no século 3 a.C., mas os historiadores ainda não determinaram exatamente onde ficava. Relatos, incluindo textos do próprio Júlio César, dizem que a cidade estava em uma ilha do Sena. Parte dos pesquisadores defende que o local correspondia ao centro de Paris; outros apontam para Nanterre, na região metropolitana da capital francesa.

A descoberta foi divulgada pelo Ministério da Cultura da França. Apesar dos elementos reunidos, novas escavações, estudos e análises ainda serão necessários para confirmar a função e a origem da estrutura.

“Podemos estar diante de um dos vestígios mais importantes já descobertos para a compreensão da Lutécia gaulesa”, afirmou Catherine Pégard, Ministra da Cultura da França, em comunicado. Ela também ressaltou que a cautela científica ainda é necessária, embora a combinação de evidências seja considerada relevante.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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