SÃO PAULO — O Ministério da Fazenda prepara um programa para comprar, com desconto, débitos antigos de pessoas físicas. O anúncio foi feito pelo ministro Dario Durigan nesta sexta-feira, em São Paulo, ao lado de Lula. A proposta integra uma iniciativa do governo federal para enfrentar o endividamento das famílias em um cenário de juros reais elevados.
A medida ainda não teve critérios, prazos ou condições detalhados. A ideia de adquirir dívidas antigas começou a ser estudada depois de problemas identificados no Desenrola Brasil, programa encerrado em maio.
Resultado e limites do Desenrola
O Desenrola Brasil renegociou R$ 28,37 bilhões em dívidas de famílias brasileiras, reduzidas para R$ 5,71 bilhões. Dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO) indicaram que três em cada dez operações de renegociação tiveram parcelas não pagas. O fundo cobre a inadimplência nas operações de crédito do programa.
A iniciativa era voltada a pessoas com renda de até cinco salários mínimos e incluía débitos vencidos de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos bancários. Os descontos podiam chegar a 90% do total devido, com juros de 1,99% ao mês, prazo entre 12 a 48 meses e parcela mínima de R$ 50,00.
O limite para renegociação era de até R$ 15 mil por beneficiário e por banco. Também havia previsão de retirada automática dos registros negativos para dívidas de até R$ 100.
Endividamento e crédito
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), apontou que o endividamento alcançou cerca de 82% dos lares em meados de 2026. O levantamento mostrou ainda que 29,8% das famílias tinham contas atrasadas e que 12,3% dos entrevistados não tinham condições de quitar suas dívidas.
Nesta semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição acompanha ofertas de crédito consideradas “agressivas ou predatórias”. Segundo ele, consumidores podem avaliar apenas se a parcela cabe no orçamento e deixar de considerar o custo total e os juros.
Galípolo defendeu mais transparência e conscientização na contratação de empréstimos e financiamentos. Também propôs mudanças no processo de contratação para dar ao consumidor mais tempo e informações antes de assumir o compromisso financeiro.







