São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Vitória da AfD na Saxônia-Anhalt amplia risco de bloqueio político na Alemanha

Avanço da extrema direita pode dificultar reformas, embora os efeitos econômicos imediatos da eleição regional sejam limitados.

Vitória da AfD na Saxônia-Anhalt amplia risco de bloqueio político na Alemanha

A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu com 43,8% dos votos a eleição na Saxônia-Anhalt, marcando a primeira vitória plena de um partido de extrema direita em um estado alemão desde a Segunda Guerra Mundial. A legenda conquistou 39 dos 83 assentos no parlamento de Magdeburgo, ficando a três cadeiras da maioria absoluta.

A União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, caiu para 17,2% dos votos, ante 37,1% em 2021. Sociais-Democratas, Verdes e Partido de Esquerda obtiveram oito assentos cada.

O impacto econômico direto tende a ser limitado porque a Saxônia-Anhalt representa menos de 2% da produção alemã. A preocupação central está nos efeitos políticos em Berlim, onde a perda de apoio dos partidos tradicionais pode dificultar acordos sobre previdência, mercado de trabalho e energia.

Pressão sobre o governo federal

Apenas 13% dos alemães afirmam estar satisfeitos com o desempenho de Merz, segundo o levantamento ARD-DeutschlandTrend. A AfD lidera as pesquisas nacionais com 27%, seis pontos percentuais à frente da CDU/CSU, que registra 21%, conforme a média mais recente compilada pelo portal DAWUM.

A estratégia econômica alemã depende de um governo federal capaz de aprovar reformas politicamente difíceis. “Vemos um risco crescente de bloqueio político a nível nacional, que poderia comprometer reformas necessárias e levar-nos a rever em baixa o potencial de crescimento da Alemanha”, afirmou o economista Alexander Valentin, da Oxford Economics.

A Saxônia-Anhalt, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, que terão eleições neste outono, representam cerca de 8% do PIB alemão e somam 11 dos 69 votos no Bundesrat. Para Valentin, nenhum dos cenários eleitorais prováveis deve alterar o equilíbrio nacional se a coalizão federal continuar de pé.

Indústria enfrenta problemas estruturais

A economia alemã ainda enfrenta licenças demoradas, energia cara, falta de mão de obra, infraestrutura envelhecida e perda de competitividade. O cancelamento, pela Intel, de um projeto de semicondutores na Saxônia-Anhalt tornou-se um símbolo dessas dificuldades. O plano previa investimento de 30 bilhões de euros, cerca de 10 bilhões de euros em subsídios federais e 3 000 empregos diretos. A empresa cancelou o projeto em julho de 2025.

A Volkswagen AG iniciou a maior reestruturação de seus 89 anos. Em 3 de setembro, seu conselho de supervisão aprovou o Future Plan 2030, que acrescentou 50 000 demissões às 50 000 já em andamento. Ao todo, perto de 100 000 postos devem ser eliminados até o fim da década, cerca de 15% da força de trabalho do grupo.

Quatro fábricas alemãs — em Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm — não têm produção automotiva garantida depois de 2031. As ações da Volkswagen AG caíram 78% em relação aos picos de 2020. Nos primeiros oito meses de 2026, a Alemanha produziu 2,65 milhões de carros de passeio, 4% menos que no mesmo período do ano anterior e 16% abaixo do nível de 2019.

Mercados e sinais de recuperação

A reação dos mercados à eleição foi contida. O índice DAX recuou 0,3%. Os juros do título alemão de 10 anos subiram 1 ponto-base, para cerca de 3,35%, na segunda-feira. Em junho, estavam em 2,8%. A alta foi associada principalmente à energia mais cara, a preocupações com a inflação e à expectativa de uma política mais restritiva do Banco Central Europeu.

Ao mesmo tempo, o índice PMI da indústria da S&P Global subiu de 52,2 em julho para 54,3 em agosto, o maior nível em 51 meses. As novas encomendas avançaram no ritmo mais rápido desde fevereiro de 2022, impulsionadas por gastos em defesa, construção de centros de dados e formação de estoques. “A recuperação do sector industrial alemão ganhou um novo impulso em agosto”, afirmou Phil Smith, diretor associado de economia da S&P Global Market Intelligence.

A eleição, por si só, não interrompe a recuperação. Gastos em defesa, investimentos em infraestrutura e a melhora das encomendas podem sustentar o crescimento. O desafio é preservar a coesão política para que esses recursos sejam usados e para que as reformas avancem.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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