São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Economia

Bets demitem após veto, e empresas menores concentram cortes

Levantamento da Amig aponta demissões em 36 de 188 marcas autorizadas; fornecedores também relatam impacto.

Bets demitem após veto, e empresas menores concentram cortes

Ao menos 36 das 188 marcas de apostas online autorizadas no país fizeram rodadas de demissão até segunda-feira (5), após o veto do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às bets. O levantamento é da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (Amig). Os cortes se concentram, até o momento, em empresas de pequeno e médio porte e não incluem fornecedores.

A H2Bet, site de apostas originado em clubes de pôquer, dispensou 170 de seus 270 funcionários, conforme publicação de seu diretor de operações, Diego Breda de Carvalho, no Instagram. “Hoje é seguramente o pior dia da minha vida de empreendedor”, escreveu. A empresa não respondeu ao contato feito por sua assessoria de imprensa. Pessoas familiarizadas com o caso afirmam que a H2Bet manterá as atividades no clube de pôquer H2 Club e o patrocínio a competições de carteado, como o BSOP (Campeonato Brasileiro de Pôquer).

O setor emprega diretamente cerca de 10 mil pessoas no país e gera outras cerca de 5.000 de forma indireta, segundo estudo da consultoria LCA encomendado pelas bets. Associações esperam reverter o veto na Justiça, mas executivos ouvidos sob anonimato dizem que parte das empresas sem reservas em caixa pode encerrar as operações de forma permanente.

Empresas afetadas

A Rivalo dispensou quase toda a equipe, formada por cerca de 100 pessoas, segundo ex-funcionários. Os pedidos de aviso prévio começaram na última semana. Daniel Eskinazi, diretor da empresa para o Brasil, atribuiu as demissões à medida provisória n.º 1.394 de 2026, que interrompeu as operações da companhia. Em nota, ele afirmou que a empresa mantém colaboradores para uma possível retomada caso o mercado volte à regulamentação.

O Rei do Pitaco também afastou mais da metade de uma equipe de 100 pessoas, conforme ex-funcionários. Foram 40 demissões e 30 concessões de férias coletivas. Um executivo da empresa confirmou o relato, mas não quis comentar.

A Ana Gaming, dona de Bet 7K e Cassino, informou que realizou dispensas, sem detalhar o número. A companhia declarou que o encerramento das operações por determinação legal compromete postos de trabalho e contratos, e que uma eventual reversão não elimina os danos já provocados.

A Alob Sports, que atua na promoção de eventos, na divulgação com influenciadores e em live marketing, desligou diversos funcionários após a suspensão das bets no Brasil. A empresa era fornecedora da Betano. Bernardo Pontes, sócio-fundador do negócio, disse que o impacto alcançou empresas de cenografia, segurança, promotores de eventos e brindes contratadas pela Alob Sports.

A startup portuguesa Hoopers, presente no país desde 2023, teve dois contratos suspensos, outros dois ou três paralisados e reuniões canceladas, segundo seu fundador, André Costa. Ele afirmou que a insegurança jurídica colocou em dúvida o futuro da empresa no Brasil.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) informou que convocou as empresas do setor a preencher um formulário sobre as demissões decorrentes do veto. A entidade ainda não informou quantas pessoas foram demitidas nem a dimensão da onda de cortes.

Empresas com estruturas multinacionais e caixa acumulado, como Betano e Superbet, mantêm os funcionários. A justificativa é que esses postos seriam difíceis de repor. Os negócios menores já enfrentavam dificuldades durante o mercado regulado, com queda no número de jogadores ativos nos primeiros meses de 2026 e concentração da clientela nos maiores sites.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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