A concentração de riqueza, poder político e influência tecnológica é apresentada como um dos principais desafios à democracia nos Estados Unidos. A análise retoma as ideias de Alexis de Tocqueville sobre a igualdade de condições e afirma que, na era Trump, esse princípio foi substituído pelo peso privado das big techs.
Tocqueville identificava a igualdade como uma força capaz de orientar as leis, os governantes e os hábitos da sociedade. Em contraste, o investidor Peter Thiel defendeu a tecnologia como uma alternativa à política, capaz de transformar a realidade sem depender da persuasão ou da construção de consensos.
A insatisfação social aparece associada ao custo da assistência médica, da creche, dos alimentos e da gasolina. Agricultores e pequenos empresários enfrentam tarifas e uma guerra comercial, enquanto moradores de pequenas cidades protestam contra a instalação de data centers. Também são citados o descontentamento com guerras no exterior e o retrocesso nos direitos das mulheres e no acesso ao aborto.
O ex-secretário do Trabalho Robert Reich atribuiu a força da política norte-americana à fúria contra um sistema percebido como manipulado contra o trabalhador comum. A Inteligência Artificial é apontada como exemplo dessa tensão. Joe Biden, no fim de seu mandato, alertou para a formação de uma oligarquia de riqueza, poder e influência e demonstrou preocupação com uma “tecno-oligarquia”.
Oligarquia e reação política
Yanis Varoufakis afirmou que a democracia real exige participação direta dos cidadãos na construção de acordos sociais. Para ele, o mundo vive sob uma oligarquia financeira e midiática. Ao mesmo tempo, os republicanos associados a Trump direcionaram sua mobilização contra imigrantes, LGBTs, negros, latinos, muçulmanos e outros grupos apresentados como responsáveis pelos problemas do país.
A análise recupera ainda discursos de Franklin Delano Roosevelt sobre o risco de captura do governo por uma oligarquia financeira. Durante o governo Roosevelt, Ferdinand Pecora investigou banqueiros ligados à crise de 1929. Charles E. Mitchell, então presidente e diretor executivo do National City Bank, renunciou após ser pressionado e fez um acordo para encerrar uma acusação criminal por sonegação fiscal, pagando uma multa de 1 milhão de dólares.
A política econômica de Roosevelt é descrita como uma tentativa de proteger o cidadão-trabalhador da instabilidade do mercado. No período recente, porém, a redução do número de sindicalizados, o avanço do trabalho parcial e precário e a perda de empregos qualificados na indústria de transformação são apontados como fatores associados ao baixo desempenho da renda da maioria.
O texto também afirma que as famílias de classe média passaram a trabalhar mais horas, com menos tempo livre, sem que a desigualdade maior fosse compensada por uma mobilidade social mais ampla.








