São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Bolsa Família terá reajuste de 15,04% e piso subirá para R$ 691

Decreto eleva benefícios a partir de outubro; medida terá custo extra de R$ 5,8 bilhões neste ano.

Bolsa Família terá reajuste de 15,04% e piso subirá para R$ 691

O governo federal decidiu reajustar linearmente os benefícios do Bolsa Família em 15,04%. Com a medida, o pagamento mínimo por família passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. O decreto foi editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (17).

A decisão foi tomada após a análise de ao menos três alternativas pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), com avaliação do espaço fiscal pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento. Além do reajuste aplicado a todos os benefícios, foram considerados aumentos no valor por integrante da família e nas parcelas destinadas a famílias com crianças, adolescentes, gestantes e mulheres que amamentam.

Alternativas analisadas

O benefício por integrante atualmente é de R$ 142. Crianças de até seis anos recebem adicional de R$ 150. Para beneficiários acima dessa idade e até 18 anos, o extra é de R$ 50. Gestantes e mulheres que amamentam também recebem R$ 50 adicionais.

As alternativas concentradas nesses valores eram consideradas mais eficientes por técnicos porque direcionariam repasses maiores a famílias numerosas e reduziriam o efeito do piso mínimo por família. Esse piso, criado no governo de Jair Bolsonaro e mantido na gestão Lula, levou à divisão artificial de cadastros em grupos de uma pessoa para ampliar ganhos, segundo a avaliação técnica citada pelo governo.

Esses modelos, porém, alcançariam menos pessoas. O benefício por integrante é pago às 49,7 milhões de pessoas atendidas pelo programa. Em agosto, foram pagos 8,36 milhões de benefícios para a primeira infância e 15,4 milhões de benefícios familiares, que incluem as demais categorias. Já o benefício complementar, responsável por garantir o piso de R$ 600, atendia 17,9 milhões de pessoas.

Custo e justificativas

O reajuste linear terá custo adicional de R$ 5,8 bilhões neste ano e de R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028. O MDS informou que a atualização preserva o desenho atual do programa e repõe a inflação acumulada entre março de 2023, quando a reformulação entrou em vigor, e agosto deste ano.

O índice usado foi o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), cuja alta no período foi de 15,04%. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou aumento de 16,3% no mesmo intervalo.

A legislação eleitoral também influenciou a escolha. Conforme o MDS, o entendimento do governo foi de que a autorização deveria contemplar um reajuste linear. A regra restringe correções acima da inflação nos meses que antecedem a eleição. Uma proposta que elevaria o benefício por integrante para perto de R$ 300 não foi considerada legalmente viável.

O governo também recebeu reclamações sobre o custo de vida das famílias, que estavam com os valores congelados desde março de 2023. Técnicos avaliaram que famílias de uma pessoa poderiam voltar a enfrentar insegurança alimentar grave com o aumento dos preços dos alimentos.

Na quarta-feira (16), a Defensoria Pública da União apresentou ao Supremo Tribunal Federal uma petição para que fosse dado ao governo prazo de 15 dias para atualizar os valores do Bolsa Família. O pedido ocorreu em uma ação na qual, em 2021, havia sido determinado o pagamento de renda mínima à população mais vulnerável.

A professora do Insper Laura Müller Machado questionou a opção pelo reajuste linear. Para ela, seria possível concentrar a correção nos benefícios por integrante e nas parcelas familiares, reduzindo gradualmente os efeitos do piso mínimo. Técnicos do governo admitem que esse seria o cenário ideal, mas afirmam que pretendem usar mecanismos de fiscalização para evitar novo crescimento artificial dos cadastros de uma pessoa.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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