São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia

Brasil busca ampliar comércio e obter parceria plena com a Asean

Mauro Vieira visita Singapura e Tailândia para avançar na candidatura brasileira e tratar de comércio, investimentos e segurança alimentar.

Brasil busca ampliar comércio e obter parceria plena com a Asean

O Brasil busca ampliar sua integração comercial com o Sudeste Asiático e obter o status de Parceiro de Diálogo Pleno da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). A iniciativa está entre os objetivos da visita oficial do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Singapura e à Tailândia nesta semana.

Desde 2022, o Brasil é parceiro de diálogo setorial da Asean. O governo avalia que a aceitação como parceiro pleno pode ocorrer na próxima cúpula da associação, entre 10 a 12 de novembro, nas Filipinas, ou a partir de janeiro de 2027, quando Singapura assumirá a presidência do bloco.

Atualmente, 12 países ou blocos têm status de parceiro pleno da Asean: Estados Unidos, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Turquia e Nações Unidas. Nenhum deles é da América Latina.

Comércio com o Sudeste Asiático

Os países da Asean são, em conjunto, o quinto principal parceiro comercial do Brasil, atrás de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul. O comércio entre o Brasil e os integrantes da associação aumentou 10 vezes entre 2003 a 2025, passando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, com crescimento médio anual de 12%.

Entre 2023 e 2025, as exportações brasileiras para Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia somaram US$ 68,5 bilhões. O valor foi equivalente ao exportado para Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França no mesmo período.

O Brasil registrou superávit de US$ 36 bilhões com os cinco mercados da Asean e déficit de US$ 36,6 bilhões no comércio com os cinco países do G7.

Para Mauro Vieira, o comércio brasileiro com a Asean deve superar, “num futuro próximo”, as trocas com os Estados Unidos e a Europa. A viagem ocorre durante os esforços do Brasil para diversificar sua pauta comercial diante dos tarifaços do governo Donald Trump.

A agenda do ministro começou em Singapura, onde ele se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Vivian Balakrishnan, e representantes de cerca de 20 empresas dos dois países. Singapura é o primeiro parceiro comercial do Brasil na Asean e o segundo na Ásia, atrás da China. O fluxo comercial entre os dois países foi de US$ 10,7 bilhões no ano passado, alta de 23% em relação a 2024.

Em uma conferência com líderes políticos e empresariais, Vieira defendeu a entrada do Brasil como parceiro pleno. “O Brasil está disposto e é capaz de preencher essa lacuna”, afirmou, em referência à ausência de países da América Latina, do Caribe e da África entre os parceiros de diálogo da associação.

O Itamaraty informou que os ministros também trataram dos principais pontos da agenda geopolítica global e da Ásia. Vieira se reuniu ainda com a ministra do Meio Ambiente de Singapura, Grace Fu, para discutir temas ambientais.

Em agosto deste ano, começou a parceria de livre comércio entre Mercosul e Singapura. O país asiático tem Produto Interno Bruto de US$ 603 bilhões, próximo ao da Argentina, de US$ 683 bilhões, segundo dados do Banco Mundial para 2025.

Relação com a Tailândia

Após Singapura, Vieira visitou a Tailândia entre os dias 8 e 10 de setembro. Em Bangkok, reuniu-se com empresários e ministros de Estado, incluindo o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Sihasak Phuangketkeow.

O Itamaraty informou que pretende aprofundar com a Tailândia as relações em comércio e investimentos, ciência, tecnologia e inovação e segurança alimentar. Os ministros também discutiram a cooperação contra o crime organizado internacional, incluindo tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas.

Outro objetivo da visita é buscar a reabertura do mercado tailandês para a carne brasileira, fechado em 2024. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo da Tailândia tem apoiado o Brasil e mantido diálogo na área consular, considerado decisivo em situações de resgate de trabalhadores.

Nos últimos meses, foram registrados casos de brasileiros atraídos por promessas de emprego no Sudeste Asiático e explorados em condições análogas à escravidão.

Em artigo publicado no Bangkok Post, Mauro Vieira destacou o aprofundamento das relações entre Brasil e Tailândia. O Brasil é o principal parceiro da Tailândia na América Latina e no Caribe. A Tailândia tem mais de 71 milhões de habitantes e registrou fluxo comercial de US$ 5,7 bilhões com o Brasil em 2025.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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