São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Café especial amplia negócios e valoriza produção do Distrito Federal

Cafeterias, grãos locais e novos métodos de preparo ampliam as formas de consumo sem afastar o café tradicional.

Café especial amplia negócios e valoriza produção do Distrito Federal

O café mantém presença na rotina dos brasileiros e ganhou novos espaços de consumo, com cafeterias dedicadas a grãos especiais, métodos variados de preparo e produtos de origem determinada. A expansão também movimenta pequenos negócios e aproxima consumidores da produção do Distrito Federal.

O Brasil deve colher 67,6 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, conforme a estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com 99% da área já colhida, o volume representa crescimento de 19,6% em relação a 2025 e é o maior da série histórica da companhia. O país é o maior produtor mundial de café.

A bebida está presente em 98% dos lares brasileiros, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Cada brasileiro consome, em média, 1,4 mil xícaras por ano. Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo per capita foi de 6,02 quilos de café cru e 4,82 quilos de café torrado e moído por habitante.

Cafeterias e produção local

Dados encaminhados pelo Sebrae-DF indicam aumento de aproximadamente 38% no número de empresas ativas ligadas a cafeterias e negócios relacionados ao café entre 2020 e 2025 no país. Cerca de 98% desses empreendimentos são pequenos negócios. No Plano Piloto, um levantamento do Instituto Federal de Brasília (IFB) identificou 117 estabelecimentos associados ao consumo da bebida, dos quais 40 foram classificados como cafeterias de cafés especiais.

A procura inclui conhecer a origem dos grãos, experimentar diferentes métodos e usar a cafeteria para trabalhar, conversar ou passar momentos de lazer. No Distrito Federal, a oferta especializada está concentrada principalmente nas Asas Norte e Sul, com expansão também em Águas Claras e no Sudoeste, de acordo com informações reunidas pelo Sebrae.

No Gama, Klébia Leite e Wesron Eber assumiram neste ano a administração da cafeteria Ouro Preto. Klébia, que é chef de cozinha, já pretendia ter um negócio próprio. A operação tem apresentado retorno positivo, mas encontra dificuldade para contratar mão de obra.

“A procura dos cafés diferentes, de conhecer coisas novas, isso tem a cada dia sempre surge mais”, diz Klébia. Segundo ela, clientes que não conhecem os métodos de preparo pedem orientação à equipe, o que levou a cafeteria a explicar diferenças entre grãos, torras e preparos.

O estabelecimento vende café especial produzido no próprio Distrito Federal. De acordo com os proprietários, a origem local desperta curiosidade e há consumidores que compram pacotes para presentear pessoas de outros estados. A produção também cresceu: dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) mostram que, em 2024, a cafeicultura ocupava 401,81 hectares, com produção de 983,34 toneladas. O número de produtores chegou a 183, ante 83 em 2022.

Tradição permanece

Apesar do avanço dos cafés especiais, as categorias tradicional, extraforte e superior ainda representam cerca de 95% do consumo no país, segundo a ABIC. Os especiais correspondem a cerca de 1% do volume vendido no varejo, embora a procura pela certificação da associação nessa categoria tenha crescido aproximadamente 230%.

A entidade também identifica mudanças nos hábitos, com a presença de cafés gelados, cold brew, cápsulas, bebidas prontas para consumo e diferentes torras ao lado do coador. Entre os mais jovens, a busca envolve praticidade e novas experiências.

A tradição continua presente na rotina de consumidores como Maria Lúcia Alves Santos, de 72 anos, que toma café pelo menos uma vez ao dia e prefere a bebida mais amarga. “A gente já nasceu com o café, já sentindo o cheiro do café”, afirma. Para ela, a lembrança está ligada ao café torrado e passado no coador de pano, antes da popularização dos filtros descartáveis.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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