A abertura para novos produtos suínos brasileiros na China foi formalizada após o encerramento de uma auditoria chinesa em frigoríficos do Brasil, iniciada em 20 de setembro. Durante o processo, inspetores visitaram unidades de produção, fazendas, abatedouros e laboratórios oficiais em seis Estados, com atividades relacionadas às carnes bovina, suína e de aves.
O Ministério da Agricultura informou que o protocolo sanitário bilateral foi assinado no sábado, 26, pelo ministro André de Paula e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. O acordo estabelece requisitos sanitários, regras de certificação e condições para os estabelecimentos brasileiros interessados em exportar os produtos.
A ampliação foi possível após o reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Até então, a autorização para o mercado chinês abrangia alguns miúdos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína.
Agora, a relação inclui músculo suíno congelado, com ou sem osso, além de gordura e miúdos e coprodutos comestíveis congelados. Também estão autorizados banha suína não refinada composta apenas por gordura corporal, línguas, máscara, focinho, orelhas, cauda, pés inteiros, pele, cartilagem, estômagos, fígado, coração, rins, diafragma e ossos suínos. A cartilagem derivada da garganta, da glote ou das vísceras não está incluída.
De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ser comercializadas na China. A receita para o setor deve superar US$ 100 milhões por ano.
O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China afirmou que a medida amplia os produtos brasileiros autorizados e cria possibilidades comerciais para os estabelecimentos habilitados. Na avaliação de André de Paula, a abertura dá acesso a um mercado de mais de US$ 2,5 bilhões por ano e representa valorização da produção e aumento de renda e emprego no campo e na indústria.
A China importa aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano em miúdos suínos. O ministério também informou que o consumo desses produtos integra a culinária chinesa e está presente em restaurantes e residências.
Zhu Qingqiao declarou que o acordo abre novas oportunidades para as exportações brasileiras. Segundo o embaixador, desde 2008 a China é, há 18 anos consecutivos, o maior mercado de exportação dos produtos agrícolas e pecuários brasileiros.








