São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Custo dos fertilizantes limita ganhos do agronegócio brasileiro

Exportações avançam, mas a dependência de insumos importados expõe produtores às oscilações do câmbio e dos preços internacionais.

Custo dos fertilizantes limita ganhos do agronegócio brasileiro

A dependência brasileira de fertilizantes importados mantém sob pressão a rentabilidade de produtores de soja e milho, mesmo com a expansão das exportações e a previsão de uma safra recorde de grãos. O país importa aproximadamente 85% dos fertilizantes que consome e responde por cerca de 8% da produção mundial desses insumos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra brasileira de grãos em 361,7 milhões de toneladas. Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que as exportações do agronegócio somaram US$ 57,85 bilhões entre janeiro e agosto, alta de 9,45% em relação ao mesmo período de 2025.

Pressão sobre os custos

A análise do Itaú BBA aponta que os produtores enfrentam uma dupla exposição: ao preço internacional dos fertilizantes e à variação cambial. A alta do dólar encarece o adubo em reais mesmo quando a cotação externa permanece estável.

Em 2026, a relação de troca piorou. Na soja, uma tonelada de MAP passou de algo entre 25 e 30 sacas em 2025 para uma faixa de 30 a 35 sacas. No milho, avançou de 40 a 50 para 50 a 60 sacas. Para os analistas, o movimento representa perda de poder de compra do produtor.

A janela de compras de fertilizantes para a safra principal de soja está praticamente encerrada, segundo Tomás Pernias, analista de inteligência de mercado da StoneX. O foco se desloca para a adubação do milho segunda safra e para a recomposição dos estoques de nitrogenados no Brasil.

Pernias afirma que uma escalada de conflito no Oriente Médio, o aumento do petróleo e custos maiores do gás natural ainda podem afetar os insumos usados na safrinha. Como o cultivo ocorre no ano seguinte, as importações de nitrogenados costumam ganhar ritmo no segundo semestre.

Oferta brasileira e demanda chinesa

O ambiente externo também voltou a incorporar um prêmio de risco nas cotações de alimentos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o Índice de Preços de Alimentos alcançou 133,3 pontos em agosto, alta de 1,9% ante julho.

Alertas do Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), indicam probabilidade superior a 90% de consolidação de um El Niño de forte intensidade nos últimos meses do ano. Eventos climáticos extremos, tensões geopolíticas e perturbações logísticas compõem esse cenário de volatilidade.

O Itaú BBA avalia que a posição brasileira no mercado internacional resulta de ganhos de produtividade, da consolidação da segunda safra, da adaptação genética ao clima tropical e da integração entre lavoura e pecuária. O Brasil lidera a produção e a exportação de soja, açúcar, café, suco de laranja e carne bovina.

Relatórios do USDA indicam que a China manteve aquisições expressivas de soja dos Estados Unidos nas últimas semanas de agosto, ao mesmo tempo em que cresceram os embarques pelos portos brasileiros. Para o Itaú BBA, a estratégia chinesa busca diversificar fornecedores e reduzir a concentração das compras em uma única origem.

A consultoria afirma que as compras americanas refletem uma busca por segurança estratégica durante a entressafra sul-americana, e não uma perda de competitividade da produção brasileira. Parte relevante dessas operações é feita por empresas estatais chinesas, no contexto do acordo comercial. As esmagadoras privadas continuam submetidas à tarifa adicional de 10% sobre produtos americanos.

Samuel Mertens, analista de commodities da Agrinvest Commodities, avalia que os volumes adicionais destinados ao mercado dos Estados Unidos têm caráter mais geopolítico e comercial. Segundo ele, a China vem reduzindo sua dependência da soja americana nos últimos 10 anos.

Exportações e abastecimento interno

Enquanto as commodities exportadas ampliam o faturamento, arroz e feijão enfrentam redução de área em regiões tradicionais. Para Mertens, essa mudança decorre da rentabilidade do capital: produtores direcionam terra e recursos às culturas com maior retorno ajustado ao risco.

A avaliação é que a preservação da oferta doméstica depende de tornar essas culturas economicamente competitivas, sem tratar a produção para exportação e o abastecimento interno como cadeias necessariamente conflitantes.

A expansão das safras brasileiras, portanto, convive com o desafio de administrar os custos de produção. A evolução das vendas externas e o papel do país no abastecimento global permanecem associados à capacidade de enfrentar a volatilidade dos fertilizantes, das moedas estrangeiras e das condições internacionais de oferta.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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