O Conselho de Supervisão da Meta recomendou que a empresa mantenha seu programa de verificação de informações feito por jornalistas, em vez de apresentá-lo como substituído pelas Notas da Comunidade. A orientação foi divulgada em um comunicado neste sábado (12), após a Meta anunciar testes do sistema em 16 países da América Latina.
Para o conselho, os dois mecanismos têm finalidades diferentes. A checagem profissional é realizada por jornalistas, enquanto as notas são elaboradas e aprovadas por usuários das redes sociais. Por isso, o órgão pediu que a empresa não trate o recurso colaborativo como uma substituição direta da verificação.
Riscos em diferentes contextos
A avaliação do conselho é que as notas podem ser manipuladas ou produzir efeitos contrários ao objetivo de informar em regimes repressivos e em sociedades muito polarizadas. O órgão também citou o risco de danos no mundo real em países com redes de desinformação em larga escala e em situações que possam levar à violência política.
A recomendação é que uma eventual passagem da fase de testes para a implementação seja precedida por uma análise dos riscos específicos de cada país. O conselho afirmou ainda que as notas podem contribuir para debates importantes e estimular a livre expressão, mas não devem ser avaliadas sem considerar o contexto local.
Os países incluídos nos testes são Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil ficou fora da lista, embora realize eleições presidenciais em outubro e seja o maior mercado das plataformas da Meta.
A empresa já havia encerrado, no ano passado, o programa de verificação profissional nos Estados Unidos e adotado as Notas da Comunidade. Nesse modelo, a análise de conteúdos potencialmente enganosos é feita por usuários que atendam a requisitos como ter pelo menos 18 anos, manter uma conta com no mínimo seis meses de existência e não ter violado repetidamente as regras da Meta.
A Rede Internacional de Checagem de Fatos afirmou que o programa da Meta não é suficiente em contextos de alta desinformação.








