São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Meta planeja levar notas da comunidade a países latino-americanos

A mudança substitui verificadores profissionais por usuários voluntários e ocorre em meio ao avanço de conteúdos falsos produzidos com inteligência artificial.

Meta planeja levar notas da comunidade a países latino-americanos

A Meta pretende expandir para a América Latina o sistema de notas da comunidade, que substitui verificadores profissionais por usuários voluntários na avaliação de conteúdos publicados em suas plataformas. A empresa ainda não definiu a data de início da operação na região, mas planeja levar o modelo a 16 países.

A mudança ocorre durante um período de eleições e de aumento da circulação de vídeos, áudios e imagens fabricados com inteligência artificial. No Brasil, autoridades eleitorais alertam para conteúdos capazes de simular declarações inexistentes de candidatos, influenciar eleitores e criar crises artificiais.

Como funcionam as notas

Pelo modelo, usuários escrevem observações sobre publicações consideradas enganosas ou sem contexto. Para que uma nota seja exibida, é preciso que colaboradores a considerem útil. A participação exige mais de 18 anos, conta ativa há pelo menos seis meses e ausência de histórico de violações reiteradas das regras da empresa.

O sistema foi inspirado no mecanismo criado pelo Twitter em 2021 e ampliado depois da compra da plataforma por Elon Musk. Em janeiro de 2025, a Meta anunciou o encerramento do programa de verificação profissional nos Estados Unidos. A implantação ocorreu poucos dias antes da posse de Donald Trump.

Laura Sanabria, editora do Detector de Mentiras, da organização colombiana La Silla Vacía, e integrante da Junta de LatamChequea, afirma que a troca pode reduzir a capacidade de resposta contra a desinformação. Ela diz que, em estudos sobre o funcionamento do modelo na rede X, as notas frequentemente aparecem apenas depois de o conteúdo deixar de ser viral, quando já passaram as 48 horas mais importantes de uma publicação.

Segundo Sanabria, verificadores independentes analisam conteúdos, produzem artigos com metodologia definida, classificam o material e alertam a plataforma, que decide se aplica rótulos, reduz o alcance, suspende ou bloqueia contas. Ela afirma que o trabalho profissional costuma responder em três a quatro dias e que as notas da comunidade são publicadas majoritariamente em inglês.

Riscos de manipulação

Christine Balagué, fundadora da rede de pesquisa Good in Tech, afirma: “A multidão pode acertar, mas também pode incluir pessoas mal-intencionadas”. Para especialistas em tecnologia e desinformação, grupos coordenados podem manipular o sistema para reforçar narrativas falsas.

O Conselho de Supervisão da Meta alertou em março que a expansão global das notas pode trazer riscos a direitos humanos e causar danos concretos, principalmente em países com histórico de repressão política. O órgão também apontou vulnerabilidades em períodos eleitorais e durante crises.

A inteligência artificial pode ampliar o problema ao facilitar a criação de redes de contas falsas que atuam de maneira sincronizada. A Rede Europeia de Padrões de Verificação de Dados advertiu que a redução dos esforços das plataformas contra a desinformação ameaça a integridade de processos democráticos e a confiança pública.

Um caso citado por La Silla Vacía envolveu um vídeo viral com 1,5 milhão de visualizações que mostrava supostas marchas contra o governo da Colômbia. As imagens eram falsas, e a Meta classificou o conteúdo como enganoso.

A empresa afirma que as notas ampliam a participação dos usuários e tornam a moderação mais transparente. Verificadores independentes contestam o modelo e dizem que ele é lento e vulnerável diante da velocidade de disseminação de conteúdos falsos.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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