São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Levantamento aponta falhas na identificação de conteúdos políticos feitos com IA

Estudo analisou 413 publicações e registrou manipulações de imagens ou vozes em 81% dos casos.

Levantamento aponta falhas na identificação de conteúdos políticos feitos com IA

O uso de inteligência artificial para manipular imagens ou vozes de pessoas públicas aparece em 81% dos casos analisados pelo Observatório IA nas eleições. A técnica, conhecida como deepfake, teve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como principal alvo: imagem ou voz dele foi alterada de forma pejorativa em 112 publicações.

O levantamento foi desenvolvido pela Data Privacy Brasil e pelo Aláfia Lab, com publicações em redes sociais feitas entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026. Dos 413 conteúdos avaliados, quase dois em cada três não informavam o uso da tecnologia, prática proibida pela Justiça Eleitoral.

Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato que mais publicou conteúdos desse tipo, com 13 registros. Em seguida aparece o deputado federal Mário Frias (PL-SP), com 10. Romeu Zema, ex-governador e candidato a presidente pelo Novo, publicou cinco. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL) tiveram três publicações cada um.

Entre os partidos, o PL concentrou 28 publicações feitas com inteligência artificial de forma indevida. O PT compartilhou quatro mensagens, e o PSDB, duas.

Sátira e desinformação

Do total analisado, 250 conteúdos, cerca de 60%, foram classificados como sátira, com o objetivo de ridicularizar políticos. Outros 163, aproximadamente 40%, foram classificados como desinformação. A maior parte dos conteúdos de desinformação ou sem indicação de uso de inteligência artificial foi publicada por usuários anônimos.

O observatório afirmou que a falta de identificação pode fazer com que conteúdos sintéticos sejam compartilhados sem informação adequada ao público, tanto pelas contas responsáveis pelas publicações quanto pelas plataformas digitais. Essas plataformas disponibilizam recursos de rotulagem, mas, segundo o levantamento, possivelmente não estão moderando devidamente esse material.

Flávio Bolsonaro também foi alvo de 57 manipulações. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe o uso de deepfake em eleições quando o conteúdo é caracterizado como propaganda eleitoral. A definição inclui material sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente que reproduza ou altere, com realismo, a imagem, a voz ou a manifestação de uma pessoa viva, falecida ou fictícia.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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