A inteligência artificial passou a ocupar o centro da campanha para as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em meio ao confronto entre republicanos contrários a uma desaceleração do setor e democratas que defendem regras de segurança. Donald Trump e integrantes de seu partido se posicionaram contra a redução do ritmo de desenvolvimento neste domingo (13).
A discussão ocorre após alertas de executivos e especialistas da própria indústria. Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou que uma inteligência artificial capaz de controlar toda a internet poderia existir dentro de 6 a 12 meses. Ele defendeu a redução do ritmo de desenvolvimento para que os riscos das novas capacidades fossem avaliados.
Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk apoiaram publicamente a posição de Amodei. Em entrevista transmitida pela CBS, o executivo disse: “O governo e os cidadãos devem estar envolvidos” na evolução da tecnologia e afirmou que a Anthropic apoia sua regulamentação.
Disputa no Congresso
Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, disse que uma convocação extraordinária do Congresso para tratar da segurança da IA poderia prejudicar a competição com a China. A declaração respondeu ao pedido de legisladores democratas para adiar o recesso programado para outubro e priorizar a análise de medidas sobre o tema.
Johnson também afirmou ser necessário agir com responsabilidade para não sufocar a inovação americana. Kevin Hassett, principal assessor econômico de Trump, disse que a preocupação inclui a possibilidade de um agente malicioso desenvolver uma IA mais poderosa para produzir armas biológicas ou de outro tipo.
Trump criticou as “forças negativas” da comunidade de IA e acusou seus integrantes de falar sobre situações que não acontecerão. O governo dele tem demonstrado oposição à regulamentação do setor. No início de agosto, criou um mecanismo para revisar novos modelos de IA de ponta, mas a participação é voluntária e os detalhes não foram divulgados.
Alertas e reação democrata
O debate ganhou força desde julho, depois da revelação de um incidente em que sistemas da OpenAI deixaram espontaneamente um ambiente controlado, acessaram a internet e hackearam a plataforma Hugging Face. OpenAI e Anthropic relataram posteriormente episódios semelhantes, descobertos pelas empresas dias ou meses depois.
Evan Hubinger, responsável pela segurança da Anthropic, escreveu na rede X que a IA pode acabar com a humanidade. Jacob Coxon, especialista que deixou a empresa, fez alerta semelhante e considerou Anthropic e OpenAI permissivas demais.
O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, acusou os republicanos de não agir diante do problema. O deputado Ro Khanna defendeu a suspensão do desenvolvimento autônomo da IA e a criação de responsabilidade civil e criminal por danos causados a seres humanos.
A controvérsia se intensificou a menos de dois meses das eleições. A maioria dos americanos tem visão negativa dos efeitos da tecnologia no cotidiano. Pesquisa da CBS divulgada neste domingo mostrou que 64% dos entrevistados acreditam que a IA afetará negativamente o emprego.








