A China confirmou nesta segunda-feira (21) que Xi Jinping fará uma visita de Estado aos Estados Unidos entre quarta-feira (23) e sexta-feira (25), a convite do presidente Donald Trump. O objetivo declarado por Pequim é fortalecer a relação entre as duas maiores economias do mundo e ampliar o diálogo em um período de tensões internacionais.
Será o segundo encontro entre Xi e Trump neste ano e o terceiro desde o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro de 2025. Segundo Guo Jiakun, porta-voz da diplomacia chinesa, os presidentes discutirão as relações entre os dois países, além de temas relacionados à paz e ao desenvolvimento global.
Pequim afirmou que pretende ampliar a cooperação, administrar as divergências e consolidar uma relação baseada na chamada estabilidade estratégica. O conceito já havia sido incluído na visão comum anunciada pelos dois países durante a visita de Trump à China, em maio, quando os governos defenderam uma relação bilateral construtiva e com maior cooperação.
Comércio, tecnologia e Taiwan
Estados Unidos e China mantêm divergências em comércio, tecnologia, inteligência artificial e Taiwan. Os dois países também disputam a liderança em setores estratégicos e têm posições diferentes sobre a proximidade entre China e Irã.
As exportações chinesas destinadas aos Estados Unidos aumentaram 34,4% em agosto, na comparação com agosto do ano anterior, conforme dados das autoridades aduaneiras chinesas. A relação comercial foi marcada nos últimos anos por tarifas elevadas e restrições econômicas. Em outubro de 2025, os dois lados concordaram com uma trégua, reforçada durante o encontro de maio deste ano, mas ainda não chegaram a um acordo permanente.
Analistas não projetam avanços expressivos nem confrontos diplomáticos durante a reunião. A expectativa predominante é que Xi e Trump preservem o diálogo. Trump deve receber pessoalmente o presidente chinês na chegada aos Estados Unidos.
A viagem ocorre após a participação de Xi na cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, no Quirguistão, além de visitas ao Egito e à reunião dos Brics na Índia.
Proposta de diálogo sobre inteligência artificial
Antes da cúpula presidencial, Estados Unidos e China começaram a discutir a criação de um canal de comunicação sobre inteligência artificial. A proposta prevê que cada país possa alertar rapidamente o outro caso um sistema represente ameaça à segurança.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reuniu-se neste domingo (20), em Nova York, com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng. A conversa também tratou de comércio e de possíveis formas de cooperação tecnológica. Bessent afirmou que os dois países precisam aumentar a transparência no setor: “O que buscamos é definir uma visão comum dos nossos objetivos e das ameaças que enfrentamos”.
A reunião aconteceu na sede do JPMorgan e teve a participação de Jamieson Greer, representante de Comércio da Casa Branca. Washington classificou o diálogo como positivo, enquanto o governo chinês ainda não havia comentado oficialmente o encontro. Bessent disse que uma nova reunião deverá aprofundar as discussões sobre o mecanismo de cooperação.







