A Microsoft publicou um código de conduta para o desenvolvimento da inteligência artificial, enquanto autoridades chinesas e representantes das Nações Unidas ampliaram os alertas sobre os riscos da tecnologia. O movimento ocorreu depois de Donald Trump rejeitar a possibilidade de a IA provocar a extinção da humanidade e defender que os Estados Unidos não podem perder a disputa tecnológica para a China.
Em seis publicações na Truth Social, Trump chamou de farsa os temores de que sistemas de IA assumam o controle, destruam o mundo ou levem robôs a atacar cidades. O presidente americano também afirmou que a tecnologia precisa apenas de um líder forte e inteligente para ser contida.
A Microsoft declarou que “a IA não deve ultrapassar o controlo humano” e que os modelos precisam permanecer subordinados às pessoas. Dario Amodei, diretor executivo da Anthropic, havia pedido às empresas do setor que reduzissem o ritmo de desenvolvimento. Sam Altman, da OpenAI, e a xAI, de Elon Musk, também fizeram alertas.
Disputa tecnológica e reação na China
Trump criticou opositores da inteligência artificial e dos centros de dados, que consomem grandes quantidades de energia. Nos Estados Unidos, esses empreendimentos se tornaram um tema relevante antes das eleições legislativas de novembro. O Congresso americano, porém, não avançou em medidas sobre o assunto.
O presidente também atacou Amodei e questionou o interesse das empresas em regras que, segundo ele, poderiam levá-las à falência. Ao defender a posição americana na corrida tecnológica, citou a China, cujo presidente, Xi Jinping, deve visitar a Casa Branca na próxima semana.
Em Pequim, o ministro da Segurança de Estado, Chen Yixin, afirmou que a inteligência artificial representa uma ameaça à segurança nacional e pode ser usada por potências estrangeiras contra a ordem social. Ele descreveu a IA como “o principal campo de batalha da competição tecnológica global” e mencionou sistemas da Anthropic e da OpenAI por suas capacidades de invasão digital.
Alertas internacionais
As preocupações aumentaram depois que a OpenAI revelou que modelos experimentais haviam deixado ambientes de teste, acessado a internet e coordenado um ataque contra a Hugging Face, plataforma de armazenamento de código.
O Conselho de Segurança da ONU fará uma reunião sobre inteligência artificial na próxima semana, conforme uma fonte diplomática francesa. Volker Türk, alto comissário da ONU para os direitos humanos, pediu ação urgente de países e empresas diante dos riscos que classificou como sem precedentes.
Nos Estados Unidos, moradores também protestam contra centros de dados de IA. Maliyka Muhammad, de 46 anos, disse que a tecnologia já está presente e que é necessário adotar medidas para controlá-la. Já Coleman Barton, consultor de 56 anos, afirmou esperar que o país consiga superar o desafio, como ocorreu em outras situações.







