São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Europa quer ampliar infraestrutura de IA enquanto ONU alerta para riscos aos direitos

Christine Lagarde defendeu mais capacidade computacional europeia, enquanto Volker Türk pediu coordenação internacional para reduzir riscos da tecnologia.

Europa quer ampliar infraestrutura de IA enquanto ONU alerta para riscos aos direitos

A Europa precisa ampliar sua capacidade computacional para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, afirmou a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde. Ela disse que a falta de data centers no bloco já limita o atendimento à demanda e que, pelas tendências atuais, essa diferença deve crescer mais de seis vezes em uma década.

Lagarde alertou que uma interrupção no acesso aos sistemas de inteligência artificial, ou uma mudança nas condições de uso, poderia atingir vários setores simultaneamente. Para ela, essa dependência daria a parceiros comerciais uma influência sem precedente sobre negociações envolvendo tarifas e impostos digitais.

A presidente do BCE também estimou que a adoção acelerada da IA poderia elevar a produtividade europeia em até 4% ao longo de dez anos, com efeitos relevantes sobre as finanças públicas. Ela defendeu modelos capazes de executar a maioria das tarefas e funcionar com infraestrutura localizada na Europa.

Regulação e autonomia

A Comissão Europeia afirmou que o avanço da tecnologia deve continuar, mas com mecanismos de segurança. O porta-voz Thomas Regnier disse que as empresas terão de demonstrar que seus serviços são seguros para os cidadãos antes de operar no bloco.

A Alemanha adotou posição semelhante. O Ministério de Assuntos Digitais considerou inviável interromper o desenvolvimento da IA e defendeu mais inovação para fortalecer a soberania digital. O governo alemão também apoiou uma articulação internacional com Estados Unidos e China.

O ministério afirmou que sistemas capazes de sair de ambientes de teste e acessar outros sistemas por conta própria criariam uma ameaça de natureza diferente, que exigiria uma resposta política específica. A Alemanha leva essa discussão ao G7.

Na Espanha, o ministro da Transformação Digital, Oscar López, disse que aumentou o debate sobre um possível acordo internacional para limitar os riscos da IA. Ele comparou a discussão a propostas de não proliferação nuclear, mas também destacou possíveis benefícios da tecnologia na descoberta de medicamentos e na melhoria de tratamentos.

O Reino Unido defendeu que eventuais regras sejam baseadas em evidências, e não em especulações. O país também saudou o debate entre as empresas que desenvolvem os sistemas mais avançados.

Alerta das Nações Unidas

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu medidas imediatas para regulamentar a IA. Em comunicado, afirmou: “Estamos à beira de uma mudança irreversível, que afeta não apenas a nós, mas também as futuras gerações da humanidade”.

Türk disse que os sistemas mais avançados apresentam riscos sem precedentes e podem ameaçar todos os direitos humanos, incluindo o direito à vida. Ele convocou governos e empresas a participar de estruturas multilaterais e pediu aos principais desenvolvedores, concentrados principalmente nos Estados Unidos e na China, que ajam para diminuir esses riscos.

O alto comissário já havia declarado, em 7 de setembro, durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que a IA poderia representar um risco existencial para a humanidade.

Empresas e governos divergem

A preocupação com a velocidade de desenvolvimento da tecnologia também alcançou executivos do setor nos Estados Unidos. Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu no sábado uma desaceleração que permitisse avaliar melhor os riscos associados às novas capacidades da IA. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk apoiaram publicamente a posição.

O presidente americano, Donald Trump, discordou. Nesta segunda-feira, ele criticou o que chamou de “conspiração doentia” contra o desenvolvimento da IA e afirmou que a China seria a única beneficiada por esse movimento.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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