A Secretaria de Políticas Econômicas (SPE) elevou de 3,6% para 3,8% a estimativa de inflação em 2027 e reduziu de 2,5% para 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. As informações estão no Boletim Macrofiscal divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Fazenda. A versão anterior havia sido publicada em julho.
Para 2026, o Ministério da Fazenda passou a prever expansão de 2% para o PIB, ante os 2,3% estimados anteriormente. A revisão considera principalmente o desempenho do setor de serviços. O endividamento das famílias também aparece entre os fatores que limitam o avanço da economia.
O boletim informa que o comprometimento da renda com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, embora o endividamento das famílias tenha permanecido estável em proporção da renda. A Fazenda afirma que esse cenário dificulta a transformação do crescimento da massa de rendimentos em consumo. O custo elevado do crédito também é apontado como obstáculo para a indústria.
Inflação e atividade
A estimativa para a inflação de 2026 caiu de 5,1% para 4,9%. Mesmo com a redução, o índice continua acima do teto da meta, de 4,5%. A Fazenda relaciona a mudança aos resultados do IPCA até julho, que ficaram parcialmente abaixo do esperado, principalmente nos grupos de alimentação no domicílio e serviços.
A revisão também levou em conta a melhora das expectativas para 2026, a manutenção da taxa Selic em nível contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026.
O documento mantém a avaliação de que o El Niño afetará os preços de alimentos in natura ainda em 2026, mas afirma que os efeitos mais expressivos devem ocorrer na safra de 2027.
Para o próximo ano, a equipe econômica baseia a previsão do PIB nos efeitos defasados da queda dos juros e na continuidade da expansão da indústria extrativa e das exportações. Segundo o boletim, a redução da Selic iniciada em 2026 deve chegar gradualmente ao crédito e à demanda doméstica, com impacto sobre a indústria de transformação, a construção e os serviços mais cíclicos.








