SÃO PAULO — O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira, 18, com queda de 0,41%, aos 185.229,17 pontos. O movimento refletiu um ajuste de posições dos investidores, que adotaram uma postura mais defensiva antes do fim de semana. Na semana, o índice recuou 1,06%, mas acumula alta de 4,4% no mês e de 15% no ano.
A pressão sobre a Bolsa também veio do recuo do petróleo, que afetou as ações da Petrobras. O barril do Brent fechou a US$ 103,87, baixa de 0,91%. As ações preferenciais da companhia caíram 0,23%, enquanto as ordinárias recuaram 1,09%.
O mercado ainda avaliou o reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado na quinta-feira pelo governo, e seus custos fiscais a partir do ano que vem. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu a suspensão da medida, sob a alegação de possível descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal por falta de indicação da fonte de custeio e de estimativas de impacto financeiro.
Câmbio e cenário externo
O dólar à vista terminou o dia a R$ 5,1442, com alta de 0,10%, depois de alcançar R$ 5,1662 pela manhã. A moeda acumulou valorização de 0,37% na semana. Em setembro, ainda registra queda de 0,69% ante o real, após avanço de 2,16% em agosto.
A desaceleração da moeda americana no exterior e a redução das perdas do iene ajudaram a diminuir a alta do dólar durante a tarde. O índice DXY, que acompanha a moeda dos Estados Unidos diante de uma cesta de seis moedas fortes, estava em 100,196 pontos por volta das 17h00, com queda de 0,05%. Pela manhã, o indicador havia alcançado 100,564 pontos, o maior nível em sete semanas.
O Federal Reserve elevou os juros nos Estados Unidos e adotou um discurso mais duro contra a inflação. O Banco do Japão também aumentou sua taxa em 25 pontos-base, para 1,25%, em uma decisão dividida. O iene terminou o dia com queda superior a 0,40% ante o dólar.
O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista em um leilão de linha, operação com compromisso de recompra. A autoridade monetária também realizou dois casadões neste mês, somando US$ 2 bilhões, em meio à pressão por remessas de divisas ao exterior.
Juros e eleições
Os juros futuros terminaram a sessão em baixa, apesar da pressão nos mercados globais de renda fixa. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 ficou em 13,555%. O contrato para janeiro de 2029 recuou para 13,840%, ante 13,845% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 caiu de 14,061% para 14,020%.
A pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira à noite, mostrou empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, com o presidente numericamente à frente. Parte do desconforto provocado pelo levantamento diminuiu durante a tarde, contribuindo para a recuperação do real.
Para Alexandre Viotto, da EQI Investimentos, o real tem demonstrado resistência apesar do estresse geopolítico e da possibilidade de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Adauto Lima, da Franklin Templeton Brasil, afirmou que a alta do petróleo favorece a moeda brasileira, enquanto a volatilidade eleitoral exerce pressão contrária.
Roberta Nossig, da Nomad, disse que os investidores calculam o custo fiscal do reajuste do Bolsa Família. Gabriel Macarini, da Blue3 Investimentos, relacionou o movimento de cautela à combinação entre o corte da Selic pelo Copom e a elevação dos juros americanos.
Nos Estados Unidos, as taxas dos títulos do Tesouro continuaram subindo. Às 18h04, o rendimento da T-note de dois anos avançava de 4,683% para 4,743%, enquanto o da T-note de dez anos passava de 4,937% para 4,993%.








