O dólar subia e o Ibovespa recuava nesta sexta-feira (25), enquanto o mercado acompanhava a oscilação do petróleo e repercutia a aceleração do IPCA-15 em setembro. Às 12h36, a moeda norte-americana avançava 0,08%, cotada a R$ 5,198. O principal índice da Bolsa caía 0,14%, aos 183.702 pontos.
O petróleo era negociado próximo de US$ 106, mas recuava 0,32%. A movimentação ocorria em meio às incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Em entrevista exibida nesta quinta-feira (24), o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que os Estados Unidos devem decidir se querem encerrar a guerra no Irã e disse que Teerã não deseja continuar lutando.
A queda do Ibovespa era pressionada principalmente pelas ações da Petrobras, que recuavam 1,58%, a R$ 48,48. A empresa tem peso relevante no índice e acompanha a variação dos preços do petróleo. Mesmo com a baixa, a permanência da commodity acima de US$ 105 mantém a preocupação com a inflação e com juros elevados por mais tempo.
Inflação e juros
O IPCA-15 subiu 0,7% em setembro, depois de cair 0,40% em agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE. Foi a maior alta para um mês de setembro desde 2021, quando o índice avançou 1,14%. O resultado ficou acima das projeções coletadas pela Bloomberg: superou a mediana de 0,55% e o teto de 0,66%.
A alta veio após o fim de fatores temporários que haviam ajudado a reduzir o índice em agosto, como o bônus de Itaipu, que contribuiu para o desconto na conta de luz.
Christian Meduna, economista do banco BV, afirmou que os principais componentes do resultado estão relacionados à alimentação, que vinha registrando deflação. Ele também mencionou a oscilação dos preços de produtos in natura e citou batata e tomate. As passagens aéreas, que haviam recuado 13% no mês anterior, subiram quase 10% agora e contribuíram para o resultado.
Para Júlio Barros, economista do Daycoval, o resultado representa um desafio para o Banco Central, já que fatores temporários passaram a pressionar a inflação. Ele afirmou que os núcleos permanecem em níveis elevados e projetou a manutenção da Selic na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 3 e 4 de novembro.
Na véspera (24), os rendimentos dos Treasuries atingiram os maiores níveis em décadas nos Estados Unidos. A taxa do título de dez anos chegou a 5,195%, maior nível desde 2007, e a do título de 30 anos fechou em 5,479%, máxima desde 2004. Às 12h40, o rendimento de dez anos estava em 5,207%, com alta de 0,85%. O índice DXY caía 0,19%.
Em Wall Street, às 12h51, o S&P 500 subia 0,14%, o Dow Jones avançava 0,26% e o Nasdaq tinha alta de 0,02%. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2028 era negociado a 13,645%, com baixa de 0,02 ponto percentual. O DI para janeiro de 2035 estava em 13,98%, recuo de 0,07 ponto percentual.







