SÃO PAULO — O iFood anunciou nesta quarta-feira (16) que investirá R$ 24 bilhões no ano fiscal de abril de 2026 a março de 2027. O valor representa crescimento de 41% em relação ao ciclo anterior. O anúncio ocorre durante o iFood Move 2026, realizado em São Paulo entre esta quarta-feira, 16, e quinta-feira, 17.
Os recursos serão distribuídos em quatro frentes: fortalecimento dos restaurantes; expansão para farmácias, supermercados, lojas de conveniência e pet shops; desenvolvimento de tecnologia própria; e soluções que ampliem a integração entre as experiências online e offline dos clientes. Nesse último eixo está o iFood Pago, fintech voltada a negócios do setor de alimentação.
Expansão e tecnologia
A empresa, que completa 15 anos de operação em 2026, prevê investir R$ 10 bilhões na entrega de restaurantes e nas novas categorias. Para o iFood Pago, estão previstos cerca de R$ 5 bilhões. A companhia também testa e amplia serviços de conveniência, pet shop e produtos para presente.
O iFood informou que os investimentos em tecnologia e inovação ultrapassarão R$ 2 bilhões. Entre as iniciativas estão agentes de inteligência artificial e o Large Commerce Model (LCM), modelo de IA generativa desenvolvido com a Prosus. A ferramenta deverá usar dados como cliques, buscas, compras, cancelamentos e avaliações para interpretar intenções de compra e produzir recomendações e notificações.
Outra aposta é o iFood Turbo, serviço voltado a entregas rápidas com logística otimizada nas grandes cidades. A empresa também pretende ampliar o crédito oferecido pelo iFood Pago a pequenos e médios negócios, que representam mais de 70% da base de parceiros.
O CEO do iFood, Diego Barreto, afirmou que a empresa registrou crescimento na retenção de usuários, na adesão ao clube de fidelidade e no número de usuários mensais. Para ele, o mercado brasileiro ainda não atingiu maturidade e o iFood se considera líder, não dominante. “Estamos dobrando a aposta nesses dois segmentos”, disse, ao comentar as operações de farmácias e mercados.
Disputas concorrenciais
O anúncio ocorre em meio a disputas envolvendo plataformas de entrega na Justiça e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após a reentrada da 99Food e a chegada da Keeta ao Brasil desde 2025.
Há três anos, o iFood firmou com o Cade um acordo válido até meados de 2027. O compromisso busca tratar efeitos de supostas infrações concorrenciais relacionadas a contratos de exclusividade com restaurantes parceiros.
No fim de agosto de 2026, o iFood pediu ao Cade a abertura de processo administrativo contra a Keeta, controlada pela chinesa Meituan. A empresa alegou que a concorrente subsidia a operação brasileira com capital da matriz para conquistar mercado. A Keeta respondeu que a iniciativa seria uma “clara estratégia monopolista” e acusou o iFood de deter o monopólio do mercado brasileiro.
Com o aumento dos pedidos, o iFood estima quase 20% de crescimento no volume total de renda gerada para entregadores. Mais da metade desse montante, segundo a empresa, vem de aporte direto do iFood. A rede de pontos de apoio para esses profissionais cresceu 90%.
A companhia também informou que mantém o programa Meu Diploma do Ensino Médio. Segundo Barreto, 7 mil empregadores se formam por meio dos programas financiados pela empresa.
Atualmente, o iFood afirma conectar 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades, com mais de 180 milhões de pedidos por mês e 600 mil entregadores parceiros.








