SÃO PAULO — A Polícia Federal atribui a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, a elaboração de carteiras de crédito consignado repassadas pelo Master ao BRB, banco do governo do Distrito Federal. A investigação afirma que o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário consideradas falsas. Uma auditoria mencionada pela PF estimou prejuízo de pelo menos R$ 5 bilhões ao banco público.
As informações passaram a ser públicas após a retirada do sigilo de documentos do caso na quinta-feira (10). Em uma petição, a PF afirma que as carteiras, a partir de janeiro de 2025, “aparentemente, passaram a ser elaboradas pelo próprio Augusto Lima”. O documento também relata mensagens que indicariam a participação do empresário nas negociações entre Master e BRB.
Segundo os investigadores, Daniel Vorcaro recorria pessoalmente a Lima para obter recursos no BRB. A polícia também considerou suspeitos pagamentos do Master à Terra Firme, empresa controlada por Lima. Formalmente apresentados como remuneração por serviços, os repasses podem, na avaliação da PF, indicar desvio de recursos.
A Terra Firme recebeu R$ 186 milhões do Master entre 2022 e 2025, enquanto uma filial recebeu quase R$ 74 milhões. A PF afirma que pagamentos superiores a R$ 3 milhões coincidiram, em vários momentos, com interferências de Lima perante o BRB para a liberação de recursos. Entre os documentos estão notas de R$ 3.665.962,47, além de outras duas, de R$ 3.334.230,12 e R$ 3.665.962,47, que somaram R$ 7.000.192,59.
As carteiras foram compradas pelo Master da consultoria Tirreno, criada em dezembro de 2024 e prestadora de serviços ao banco de Vorcaro de janeiro a junho de 2025. Parte dos empréstimos havia sido firmada por associações de servidores públicos da Bahia, posteriormente relacionadas a Lima pela investigação.
Em 28 de maio de 2025, Lima e Henrique Peretto, apontado como controlador e dono da Tirreno, trocaram mensagens sobre uma reunião com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB. Em novembro de 2024, o BRB já havia identificado problemas em uma carteira Credcesta: dos R$ 179,6 milhões de valor contábil, R$ 110 milhões foram considerados aptos. A PF também afirma que o limite de inadimplência admitido foi ampliado de 4% para 5%.
Lima foi preso em novembro na Operação Compliance Zero, com Vorcaro e outros executivos, e foi solto 11 dias depois, passando a usar tornozeleira eletrônica.
A defesa de Lima rejeitou as acusações e afirmou: “Não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados”. Também disse que ele deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024, e que os serviços contratados pela Terra Firme foram prestados. A defesa sustenta que Lima não participou das negociações com o BRB nem tratou com representantes do banco sobre carteiras falsas.
O documento da PF tem 82 páginas, data de 3 de fevereiro de 2025 e assinatura digital registrada em 18 de fevereiro de 2026. Ele foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.








