São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia

PF propõe novas divisões para combater apostas ilegais e crimes financeiros

Plano enviado ao Ministério da Justiça prevê estruturas para investigar bets ilegais, manipulação esportiva e lavagem com ativos virtuais.

PF propõe novas divisões para combater apostas ilegais e crimes financeiros

A Polícia Federal propôs uma reestruturação interna para criar divisões dedicadas ao combate às apostas ilegais e à manipulação de resultados esportivos. O plano também prevê uma área específica para investigar o uso de ativos virtuais, como criptomoedas, em crimes de lavagem de dinheiro.

A proposta foi formalizada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública na sexta-feira (25), mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que tornou ilegal a exploração das apostas de quota fixa. O pedido tramita no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Segundo integrantes do governo, Lula já havia dado aval à reformulação. A criação das novas estruturas tem impacto financeiro mensal estimado em R$ 44,9 mil.

Estrutura prevista

O documento prevê a criação da Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos (CGLA), vinculada à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor). A diretoria é responsável por investigações que envolvem o Banco Master e fraudes no INSS.

Dentro da CGLA, seriam criadas a Coordenação de Inteligência Financeira e Lavagem de Dinheiro e a Coordenação de Recuperação de Ativos. A primeira abrigaria um serviço voltado à investigação de lavagem com ativos virtuais. A segunda cuidaria da investigação patrimonial e da gestão, alienação e destinação de bens ligados a crimes investigados.

O plano também inclui a Divisão de Repressão a Apostas Ilegais e a Divisão de Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos. Estão previstas ainda uma Divisão de Doutrina e Capacitação, um setor de apoio administrativo e um núcleo de gestão estratégica.

Ao todo, seriam criadas 17 unidades administrativas, com o aproveitamento de três estruturas já existentes e ligadas à Coordenação Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro (CGRC).

Andrei Rodrigues afirmou no documento que a reorganização busca “fortalecer a capacidade institucional da Polícia Federal para o enfrentamento econômico ao crime organizado”. A PF disse que a nova estrutura reunirá as áreas sob uma direção única, com fluxos para apoiar a identificação, localização, bloqueio, administração, alienação e destinação de bens.

Investigações e bloqueios

Na terça-feira (29), o Ministério da Justiça informou ter solicitado o bloqueio de 5.209 sites de apostas que passaram a operar ilegalmente após a medida provisória assinada por Lula. A pasta também declarou que a PF investiga há três anos esquemas relacionados a apostas ilegais e manipulação de resultados esportivos.

De março de 2023 a agosto de 2026, a corporação deflagrou 12 operações relacionadas a essas práticas. As ações resultaram na expedição de ao menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão, com investigações em Minas Gerais, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraíba e Distrito Federal.

No mesmo período, a PF pediu à Justiça o sequestro de R$ 4,17 bilhões em bens e valores. A corporação também participa de uma força-tarefa da Interpol contra a manipulação de resultados esportivos.

As apostas online foram autorizadas durante o governo Michel Temer (2016-2018) e passaram pelo governo Jair Bolsonaro (2019-2022) sem regras. Em 2024, o governo Lula regulamentou a atividade e passou a cobrar impostos.

Em maio deste ano, a PF havia criado um grupo temporário, com duração prevista de um ano, para investigar manipulação de resultados esportivos, fraudes em apostas e bets ilegais. A proposta atual representa uma reformulação permanente dessas frentes, caso seja aprovada pelo governo.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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