São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Justiça

Vercilene Dias é a primeira mulher quilombola do Brasil com doutorado em direito

Advogada cresceu no território Kalunga, trabalhou como empregada doméstica e defendeu tese aprovada pela banca da UnB.

Vercilene Dias é a primeira mulher quilombola do Brasil com doutorado em direito
Foto: TV Globo/Reprodução

A advogada Vercilene Francisco Dias se tornou a primeira mulher quilombola do Brasil a conquistar um doutorado em direito. Nascida na região do Vão do Moleque, no território Kalunga, ela saiu da comunidade para estudar, trabalhou como empregada doméstica e desenvolveu pesquisas sobre conflitos territoriais e regularização fundiária.

Filha de lavradores semianalfabetos, Vercilene aprendeu a ler para ajudar os moradores da própria comunidade. Depois, passou a ler e escrever cartas e documentos para outras pessoas do território. O contato com disputas territoriais despertou seu interesse pelo direito.

Da comunidade à universidade

Em 1995, ela deixou a região onde vivia e foi morar com padrinhos em Tocantins. Mais tarde, viveu com uma família de fazendeiros no interior do estado. Decidida a cursar direito, voltou para Goiás e trabalhou como empregada doméstica para pagar os estudos.

Em 2011, foi aprovada no vestibular de direito da Universidade Federal de Goiás (UFG) por meio do UFG Inclui, programa de ação afirmativa voltado a estudantes quilombolas e indígenas. A advogada se formou em 2016 e, na sequência, iniciou o mestrado em Direito Agrário, também na UFG.

Durante a graduação, Vercilene passou a questionar o conceito de propriedade apresentado nos livros, por considerá-lo diferente da relação com a terra que conhecia no território Kalunga. No mestrado, decidiu estudar os conflitos territoriais e a regularização fundiária da comunidade.

Ao fim do mestrado, foi aprovada em um processo seletivo para trabalhar em Brasília em uma organização de assessoria jurídica. Depois de duas tentativas de ingresso no doutorado e de conciliar trabalho e estudo, teve a tese aprovada pela banca da Universidade de Brasília (UnB).

“Eu queria mostrar para a sociedade que a gente era capaz de conseguir chegar naquele espaço também”, afirmou. Vercilene também disse que sua trajetória inspirou meninas da comunidade a sair para estudar e que não deixou de ser quem era, nem de manter os vínculos com a família e o território Kalunga.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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