São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Argentina retoma projeto naval em Ushuaia e endurece postura sobre as Malvinas

Base, paralisada desde 2022, tem avanço de 9,13% e fica em uma área estratégica próxima à Antártida e aos corredores marítimos do sul.

Argentina retoma projeto naval em Ushuaia e endurece postura sobre as Malvinas

O presidente da Argentina, Javier Milei, retomou o projeto da Base Naval Integrada em Ushuaia e anunciou que pretende ampliar as sanções e penas contra a exploração de petróleo nas ilhas Malvinas, controladas pelo Reino Unido. A medida será anunciada na sexta-feira (11), em meio à possibilidade de mudança na posição dos Estados Unidos sobre a disputa, mencionada pelo presidente Donald Trump.

A construção foi iniciada em 2022, durante o governo de Alberto Fernández, mas está paralisada. Dados oficiais indicam que apenas 9,13% da obra foi executada. Atualmente, o projeto se resume a uma plataforma de concreto de 2.500 m², em um terreno de 38 hectares sem acesso público. O local fica a cerca de 5 km do centro de Ushuaia e próximo ao aeroporto da capital de Tierra del Fuego.

Milei afirma que a base ajudará a ampliar a presença argentina na Antártida e a reforçar a atuação do país no Atlântico Sul. A região fica junto ao Canal Beagle, passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico, e desperta interesse de Estados Unidos e China.

Disputa pelas Malvinas e presença dos EUA

A retomada ocorre enquanto avança o projeto petrolífero britânico Sea Lion, rejeitado pelo governo argentino. Milei declarou que pretende endurecer as medidas contra a exploração no arquipélago, enquanto Trump afirmou que poderia reconsiderar a neutralidade norte-americana em relação ao conflito.

O governador de Tierra del Fuego, Gustavo Melella, opositor de Milei, apoia a construção, mas defende que ela não tenha participação de outros países. Na sexta-feira, ele recebeu os ministros das Relações Exteriores e da Defesa, Pablo Quirno e Carlos Presti, para tratar do projeto.

A possibilidade de envolvimento dos Estados Unidos já havia provocado controvérsia em 2024. Naquele ano, Milei viajou a Ushuaia para se reunir com Laura Richardson, então chefe do Comando Sul. Depois de o presidente dizer que a instalação transformaria os dois países em uma porta de entrada para a Antártida, o governo esclareceu que não se tratava de uma base combinada.

O porta-voz presidencial Adrián Ravier afirmou recentemente que o projeto é cem por cento argentino. Ainda assim, autoridades norte-americanas continuaram visitando a região. Em abril de 2025, Alvin Holsey, então chefe do Comando Sul, esteve em instalações navais de Ushuaia e recebeu informações sobre proteção de rotas marítimas e operações antárticas.

Em janeiro de 2026, uma delegação de 23 norte-americanos, entre eles sete congressistas, visitou a província. A frequência dessas visitas alimenta especulações sobre o interesse estratégico de Washington no extremo sul, especialmente por causa do acesso à Antártida.

Investimentos chineses e valor geopolítico

Para o cientista político Luis Castelli, diretor da consultoria Vox Pópuli, a importância de Ushuaia está também na localização sobre um canal que liga os dois oceanos e na proximidade com a Antártida. Ele inclui Malvinas e Punta Arenas, no Chile, entre os pontos estratégicos da região.

Castelli avalia que os Estados Unidos tentam conter o avanço chinês em áreas sensíveis para as rotas marítimas e a logística antártica. Enquanto Washington amplia a presença por meio de visitas oficiais, a China atua com investimentos.

Em março, o embaixador chinês na Argentina, Wang Wei, visitou uma usina termoelétrica em construção nos arredores de Ushuaia. O empreendimento é financiado por capital chinês e envolve investimento próximo a US$ 80 milhões. Castelli também afirma que empresas e bases chinesas no continente americano geram resistência em Washington por causa da doutrina Monroe.

Daniel Guzmán, ex-combatente da guerra de 1982 e especialista em relações internacionais, considera que a instalação poderia ser usada para patrulhamento e apoio logístico a outras marinhas. O médico Rubén Rafael, morador de Ushuaia, disse que a região passou a atrair a atenção internacional.

O futuro da base dependerá de decisões políticas, negociações internacionais e da capacidade argentina de conciliar seus interesses estratégicos em uma área disputada por diferentes potências. Por enquanto, o complexo permanece inacabado, enquanto Buenos Aires reforça sua posição sobre as Malvinas e busca ampliar sua presença no extremo sul.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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