FRANÇA — Jordan Bardella, presidente do partido Reunião Nacional (RN), nega ter feito comentários antissemitas atribuídos a ele em conversas online. As mensagens teriam sido escritas entre meados de 2013 e 2015, quando ele era um jovem militante da então Frente Nacional (FN), e vieram a público na segunda-feira (28). A controvérsia ocorre durante a campanha para as eleições presidenciais de 2027.
A investigação sobre o caso se baseia em conversas privadas, autenticadas de forma independente, e em testemunhos. Os textos teriam sido produzidos quando Bardella tinha entre 17 e 18 anos. Entre as declarações atribuídas a ele estão referências a uma suposta dominação mundial por Israel, a interesses israelenses nos ministérios franceses e ao controle de bancos por judeus.
Também são atribuídas a Bardella mensagens sobre Pierre Moscovici, então ministro da Economia do presidente socialista François Hollande. Em outro episódio citado, ele teria demonstrado apoio ao humorista Dieudonné, condenado naquela época por incitação ao ódio, ao dizer que o artista travava uma “verdadeira batalha de ideias”.
Reação de Bardella e Marine Le Pen
Bardella rejeitou as acusações na rede social X e afirmou que os documentos são “falsificações grosseiras”. À emissora CNews, ele disse que seu advogado apresentou uma queixa por difamação. O presidente do RN também declarou que não era um militante ativo da Frente Nacional em meados de 2013 e que era menor de idade, argumentos que, segundo ele, demonstrariam a falsidade das fontes.
O político afirmou ainda que o caso faria parte de uma operação para desestabilizar sua campanha presidencial e destruí-lo politicamente. Ele também disse que o site poderia estar por trás da ação ou sendo manipulado por pessoas interessadas em prejudicá-lo.
Marine Le Pen, candidata do RN à Presidência da França, defendeu Bardella durante uma feira do setor da construção em Paris. Ela classificou as acusações como uma possível armação e disse não ter lido a investigação.
Críticas da comunidade judaica
Yonathan Arfi, presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Crif), afirmou estar chocado com a violência dos comentários atribuídos a Bardella. Para ele, a juventude não justifica esse tipo de discurso.
Arfi também disse que o caso expõe limites da estratégia de normalização adotada pelo RN nos últimos anos. Marine Le Pen assumiu o comando da legenda em 2011 e tenta afastá-la da imagem associada a seu pai, Jean-Marie Le Pen, condenado pela Justiça francesa por declarações negacionistas e antissemitas.
A investigação também menciona uma possível admiração de Bardella por Alain Soral, ensaísta francês conhecido por posições antissemitas. Nas mensagens atribuídas ao então militante, aparecem referências a uma suposta submissão da França a uma lógica sionista e a instituições e famílias financeiras como Goldman Sachs, Rothschild e Lehman Brothers.







