São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Crise climática amplia disputa global por energia, água e matérias-primas

Mudanças no clima já afetam a economia, a segurança internacional e a competição por recursos estratégicos, afirma Emmanuella Doussis.

Crise climática amplia disputa global por energia, água e matérias-primas

As mudanças climáticas passaram a influenciar diretamente a economia, a política e a segurança internacional, além de reorganizar disputas por recursos naturais e regiões estratégicas. A avaliação é de Emmanuella Doussis, professora de Instituições Internacionais e titular da Cátedra UNESCO para a Diplomacia Climática.

A especialista afirma que o problema tem efeitos de longo prazo e não deve ser tratado apenas como uma questão ambiental. “As alterações climáticas são um problema económico, porque afetam diretamente as economias nacionais dos Estados. São um problema social, porque afetam as sociedades. São um problema político e também um problema geopolítico”, observa.

Recursos estratégicos e novas dependências

O derretimento do gelo no Ártico pode abrir novas rotas comerciais, mas também intensifica a disputa por matérias-primas usadas em tecnologias recentes. Entre os recursos citados estão o lítio, o cobalto e os elementos de terras raras.

A água ganhou peso crescente nas relações entre países, especialmente em áreas onde rios e bacias hidrográficas atravessam fronteiras. As alterações climáticas também estão relacionadas à segurança alimentar e aos deslocamentos populacionais. Doussis menciona o Ártico, as tensões em torno de águas e rios e as migrações como parte da concorrência por novos recursos.

A transição para fontes de energia limpa também deve produzir efeitos diferentes entre os países. Na avaliação da professora, o abandono dos combustíveis fósseis pode enfraquecer nações que dependem da produção e da exportação desses recursos, obrigando-as a reorganizar suas economias.

Por outro lado, países com potencial para energia solar, eólica e geotérmica, além daqueles que possuem matérias-primas necessárias às novas tecnologias, tendem a ganhar força. O resultado será a formação de novas dependências e relações de interdependência.

Cooperação internacional

A resposta global às mudanças climáticas foi organizada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas e reforçada pelo Acordo de Paris, em 2015. Os países apresentam planos nacionais de redução de emissões e adaptação, revisados de cinco em cinco anos.

Doussis ressalta, porém, que o sistema não prevê sanções efetivas para casos de descumprimento. Em um cenário geopolítico difícil, ela defende maior foco em ações práticas, como parcerias em pesquisa, tecnologia e interligações elétricas capazes de acelerar a expansão das fontes renováveis.

China, Estados Unidos, Índia e União Europeia estão no centro dos esforços internacionais, mas adotam prioridades diferentes. Doussis observa que os Estados Unidos passaram a dar mais ênfase aos combustíveis fósseis, enquanto a China investe de forma significativa em tecnologias limpas e trata a indústria verde como um setor central do século XXI. Ao mesmo tempo, o país asiático continua investindo em combustíveis fósseis.

Vulnerabilidade da Grécia

A localização da Grécia aumenta sua exposição aos efeitos das mudanças climáticas, já que o Mediterrâneo é considerado uma região particularmente vulnerável. O país avançou com a decisão de abandonar o carvão e com planos de transição justa, mas, nos últimos anos, houve maior ênfase nos combustíveis fósseis.

Para Doussis, a política climática não deve ser reduzida a medidas ambientais isoladas. Ela envolve escolhas sobre a economia, a energia e o conjunto das políticas públicas.

A professora também afirma que os efeitos do clima não podem ser usados para explicar sozinhos problemas antigos de planejamento e infraestrutura. Ao comentar catástrofes naturais recentes na Grécia, menciona carências persistentes, excesso de normas e proteção insuficiente de áreas vulneráveis.

Água, alimentos e migrações

O acesso a bens essenciais está entre os principais riscos associados à crise climática. “Teremos um problema muito grande e grave com a segurança alimentar. Teremos um problema com a água”, afirma Doussis.

A pressão sobre os recursos hídricos pode aumentar tensões entre Estados. Um exemplo citado é o Nilo, relacionado às disputas entre o Egito e a Etiópia. As mudanças climáticas também podem intensificar os deslocamentos populacionais, criando desafios para a segurança internacional e para a gestão dos fluxos migratórios.

Nesse cenário, energia, água, alimentos, matérias-primas e migrações passam a estar conectados. A diplomacia climática ganha, assim, importância crescente nas relações internacionais.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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