São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mundo

Despejo em Madri expõe pressão sobre moradia na Espanha

Protestos após a retirada de uma idosa de 87 anos ocorrem em meio à alta dos preços, dos aluguéis e à falta de oferta.

Despejo em Madri expõe pressão sobre moradia na Espanha

O despejo de María del Carmen Abascal, conhecida como Maricarmen, mobilizou milhares de pessoas e ampliou o debate sobre o acesso à moradia na Espanha. Aos 87 anos, ela vivia havia cerca de 70 anos em um imóvel alugado em Madri. Após a mudança de proprietário, o aluguel proposto passou de cerca de 500 euros para 2.650 euros mensais e depois foi reduzido para 1.650 euros, segundo o Sindicato de Inquilinas de Madrid.

Depois de tentativas de impedir a retirada, Maricarmen foi despejada e levada posteriormente a um hospital. O caso desencadeou manifestações que se espalharam para além da capital, em um momento de forte pressão sobre os custos de moradia.

Preços e aluguéis em alta

O Índice de Preços da Habitação do Instituto Nacional de Estatística (INE) registrou alta de 12,2% em relação ao mesmo período do ano anterior no segundo trimestre de 2026. Os imóveis usados subiram 12,9%, enquanto os novos tiveram aumento de 7,4%. Na comparação com o trimestre anterior, a alta foi de 3,4%.

O aluguel médio anunciado chegou a 15,1 euros por metro quadrado em agosto de 2026, segundo o portal Idealista. O valor ficou 5,8% acima do registrado um ano antes.

Em 2024, 28,1% das pessoas que alugavam uma moradia pelo preço de mercado destinavam mais de 40% da renda disponível aos custos habitacionais, de acordo com o INE. Na União Europeia, a média era de 19,2%.

A pressão é mais intensa nas áreas em que a população e o emprego cresceram. Madri, Barcelona, as ilhas, parte do litoral mediterrâneo e outros centros urbanos e turísticos concentram a procura. Ao mesmo tempo, há municípios com população estagnada e imóveis vazios, mas a localização dessas unidades não resolve a escassez nas regiões mais disputadas.

Oferta limitada e mudanças demográficas

O Banco de Espanha aponta o déficit de oferta como um dos principais fatores de pressão sobre o mercado. A construção residencial se recuperou depois da crise imobiliária anterior, mas não voltou aos níveis anteriores a 2008. Licenças urbanísticas, financiamento e obras também fazem com que a resposta da oferta leve anos.

O país se aproxima de 50 milhões de habitantes depois de anos de crescimento demográfico impulsionado principalmente pela imigração. A expansão do número de famílias também eleva a demanda: separações, jovens que deixam a casa dos pais e trabalhadores que se mudam criam novos domicílios mesmo quando a população total muda pouco.

Compradores estrangeiros responderam por 15,98% das transações de moradia na Espanha no segundo trimestre de 2026, segundo o Colégio de Registradores. O percentual chegou a 32,27% nas Baleares e a 31,03% na Comunidade Valenciana. Aluguéis turísticos também podem reduzir a oferta residencial em áreas com grande procura de visitantes.

A habitação pública ou social de aluguel representa menos de 2% do parque residencial espanhol, contra cerca de 8% na União Europeia. Com uma rede pública menor, mais famílias de baixa ou média renda ficam expostas às oscilações do mercado privado.

Em 2025, 44,3% dos espanhóis entre 26 e 34 anos ainda moravam com os pais. Entre eles, 47,3% apontavam a impossibilidade de comprar ou alugar uma moradia como principal motivo.

A situação de Maricarmen reuniu essas diferentes dimensões da crise: o aumento dos custos, a vulnerabilidade de inquilinos idosos e a insegurança provocada por mudanças na propriedade ou nas condições dos contratos. A Anistia Internacional afirmou que o despejo sem uma alternativa habitacional adequada violou os direitos da idosa. O caso se tornou um símbolo de um problema que afeta jovens, famílias, inquilinos e pessoas que vivem há décadas na mesma casa.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5