A aprovação de um decreto habitacional na Espanha depende de um acordo entre o PSOE, o Podemos e o Junts, que negociam medidas enquanto movimentos de inquilinos mantêm protestos em diferentes regiões do país. Os votos dos dois últimos partidos são necessários para aprovar o texto, apesar da oposição entre as legendas.
O Sindicato de Inquilinas afirma que a mobilização continuará se as reivindicações não forem atendidas. Entre os pedidos estão a renovação automática dos contratos de aluguel, a garantia de alternativas habitacionais pelo Estado em casos de despejo e mais proteção para inquilinos quando proprietários descumprirem a lei.
Cerca de 300 tendas permaneceram na Puerta del Sol, em Madri, após a segunda noite do acampamento. A mobilização começou no sábado à tarde, depois de uma segunda concentração realizada na cidade durante a semana. Artistas como Marwan, Samantha Hudson, Biznaga e Aitana Sánchez Gijón aderiram ao protesto.
A porta-voz do sindicato Valeria Racu cobrou do governo uma decisão antes da votação parlamentar prevista para terça-feira. “Ou isso acontece na terça-feira [dia da votação parlamentar] ou este governo não faz sentido”, afirmou neste domingo. Segundo ela, o movimento não quer apenas mensagens de compreensão, mas mudanças no decreto que vem sendo preparado há meses.
O rascunho publicado em junho prevê a renovação, sem caráter indefinido, de contratos que terminem antes de 2028. O documento também inclui regras para aluguéis de curta duração e por quartos, aumento para 21% da tributação sobre hospedagens turísticas, medidas adicionais contra despejos e incentivos fiscais para proprietários.
Protestos em outras cidades
O Sindicat de Llogateres da Catalunha convocou uma manifestação para esta segunda-feira, em Barcelona, diante do local de um evento com a participação de Pedro Sánchez. Também são esperados atos nas Astúrias, em Múrcia, Sevilha e Saragoça.
A pressão ganhou força após o despejo de Maricarmen, de 87 anos e com deficiência de 50%, que se tornou um dos símbolos da mobilização. Ela foi levada a um hospital depois de ser retirada de casa e enviou uma mensagem em vídeo ao sindicato: “Gostaria de estar aí convosco, a acompanhar o vosso acampamento mas não tenho essa sorte”.
O caso foi relacionado ao fundo Urbagestión, que preparava o despejo desde o final da década passada. O acampamento em Sol também recupera imagens associadas ao movimento 15-M, iniciado no local quinze anos atrás em protesto contra o bipartidarismo, as políticas de austeridade e a corrupção.






