Cerca de 1,6 milhão de mulheres na França que usam anticoncepcionais à base de desogestrel, como o Cerazette, receberão uma carta sobre o aumento do risco de meningioma. O tumor benigno se desenvolve nas meninges, membranas que envolvem o cérebro.
O aviso foi divulgado pela Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde (ANSM), autoridade francesa que regulamenta e fiscaliza medicamentos. A agência classifica o risco como baixo e recomenda que as pacientes não interrompam o método contraceptivo sem orientação médica, para evitar uma gravidez não planejada. A orientação é discutir o assunto na próxima consulta de rotina.
Sintomas e acompanhamento
Mulheres que apresentarem dores de cabeça persistentes, alterações visuais, fraqueza muscular, distúrbios de equilíbrio ou da fala, perda de memória ou crises epilépticas novas ou agravadas devem procurar um médico. Nesses casos, pode ser solicitado um exame de imagem cerebral, como a ressonância magnética.
A diretora médica da autoridade sanitária francesa, Isabelle Yoldjianu, afirmou que o risco “é baixo e não pode ser comparado ao do Androcur (acetato de ciproterona), que era 20 vezes maior após cinco anos de uso”.
Um estudo realizado em 2024 pelo grupo científico Epi-Phare apontou que uma em cada 67 mil mulheres que utilizam desogestrel desenvolveu meningioma relacionado ao anticoncepcional. Após cinco anos de tratamento, a incidência chega a uma em cada 17 mil usuárias. O risco, superior ao observado entre mulheres que nunca usaram o medicamento, dobra após sete anos de uso e desaparece um ano depois da interrupção.
Mulheres com mais de 45 anos e aquelas que já usaram por mais de um ano outro progestagênio considerado de risco estão mais sujeitas ao tumor. Cerca de 90 mil médicos que prescreveram anticoncepcionais contendo apenas desogestrel na dosagem de 75 microgramas também receberão uma comunicação oficial.
O ginecologista francês Geffroy Robin disse que os tratamentos com desogestrel, usados contra endometriose e menstruação abundante, melhoram a vida de muitas mulheres. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) decidiu incluir o risco nas bulas desses anticoncepcionais, após solicitação da ANSM. A agência francesa informou que disponibilizou perguntas e respostas em seu site e lembrou que os métodos contraceptivos devem ser reavaliados anualmente, conforme as necessidades e o estado de saúde da paciente.






